Mansueto critica política econômica de Lula e prevê crise fiscal
Economista-chefe do BTG Pactual disse que melhora da Bolsa se deve a “fatores externos” e foi aplaudido em evento
Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, apresentou nesta terça-feira, 10, uma avaliação negativa sobre a condução da política econômica do governo federal. Durante o CEO Conference Brasil, evento promovido pelo banco, ele defendeu que a melhora recente de indicadores brasileiros decorre de condições internacionais favoráveis, não de avanços domésticos.
Mansueto alertou para o que classificou como trajetória insustentável das contas públicas. Segundo suas projeções, a dívida pública do país subirá dez pontos percentuais ao longo do mandato presidencial em curso. “Não dá para repetir nos próximos quatro anos o que foi feito nesses quatro anos”, afirmou o economista, que prevê “enorme problema” caso medidas de ajuste fiscal não sejam implementadas.
A análise do executivo do BTG contrasta com a narrativa oficial do governo sobre os resultados econômicos. Antes de integrar o banco, Mansueto ocupou o cargo de secretário do Tesouro nas gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Valorização cambial e mercados
A valorização do real em 2025, na visão de Mansueto, resulta de movimentos externos ao país. Ele argumentou que a moeda brasileira se fortaleceu pelo receio de investidores diante “das políticas erráticas que aconteceram nos Estados Unidos”, e não por reformas implementadas pelo governo brasileiro.
O raciocínio se estende ao desempenho das bolsas de valores. O economista observou que os mercados acionários com melhor performance neste ano, incluindo Brasil, Colômbia e Peru, tampouco refletem fatores internos ou reformas estruturais nesses países.
“Em algum momento, a gente vai começar a olhar os fundamentos da economia brasileira e vamos ser sinceros: esses fundamentos não são bons”, declarou Mansueto.
Críticas ao modelo de ajuste
O economista questionou a composição do ajuste fiscal promovido pela equipe econômica. Segundo sua interpretação, a melhora dos resultados primários não decorreu de redução de gastos públicos, mas de elevação da carga tributária sobre contribuintes.
Mansueto também apontou a criação de programas de despesas fora das regras do arcabouço fiscal, instrumento que estabelece limites para o crescimento dos gastos do governo. Ele concluiu que a gestão nessa área “não deu certo”.
Quanto à inflação, o economista atribuiu a desaceleração dos índices de preços à manutenção de uma das taxas reais de juros mais elevadas globalmente. A observação sugere que o controle inflacionário tem custado caro à economia.
“Vamos reconhecer que o Brasil tem um problema fiscal sério e que o mercado reage muito rápido”, disse Mansueto. A plateia do evento, formada principalmente por representantes do setor financeiro, aplaudiu a fala do economista, segundo a Folha.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou mais cedo do mesmo evento e recebeu elogios dos organizadores. Mansueto não integrou o painel com o ministro.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)