Zé Trovão quer medalha por motim na Câmara
Deputado catarinense afirma que ação de agosto merecia condecoração; ele responde no Conselho de Ética junto com outros dois parlamentares
O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) declarou nesta terça-feira, 10, que deveria receber uma medalha pela participação no motim bolsonarista que ocupou a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em agosto de 2025. A afirmação foi feita durante depoimento ao Conselho de Ética, onde responde por conduta incompatível com o decoro parlamentar.
O parlamentar catarinense foi questionado pelo colega Marcel van Hattem (Novo-RS), também investigado, sobre suas expectativas caso haja justiça na análise do processo. “Espero que, se for feita justiça nesse caso, que esse processo se encerre de maneira a arquivar todas as denúncias que são fantasiosas contra nós. E deveriam nos dar uma medalha. Não por honrar a política, mas por honrar quem elege os políticos”, respondeu.
Zé Trovão e van Hattem estão entre os três deputados formalmente acusados pela invasão que paralisou as atividades do plenário. O terceiro investigado é Marcos Pollon (PL-MS).
Denúncia de tratamento seletivo
Durante o depoimento, Zé Trovão contestou o fato de apenas três parlamentares terem sido formalmente denunciados. Segundo ele, mais de 70 deputados participaram da ocupação da Mesa Diretora, mas apenas um grupo restrito foi selecionado para responder pelo episódio.
“Esse movimento, hoje, era para estar aqui mais de 70 parlamentares, passando por tudo isso. Deveria ter oitiva para 70 parlamentares, porque não foi só eu, não foi só vossa excelência, não foi só o deputado Marcos Pollon que participou. Nós fomos arrancados a dedo”, afirmou.
“Já ouviu falar de boi de piranha? Quando não se pode criminalizar a todos, pegue um e jogue ele na cadeia e deixa apodrecer que você resolve o problema dos outros. É só para servir de exemplo. Eles querem nos fazer de exemplo para alguma coisa”, completou.
Processo no Conselho de Ética
O Conselho de Ética abriu quatro representações em outubro de 2024 relacionadas ao episódio de agosto. A Corregedoria da Câmara propôs penalidades diferentes para os três deputados investigados.
Marcos Pollon, alvo de duas representações, pode ser afastado por 90 dias. Zé Trovão e Marcel van Hattem podem sofrer suspensão de 30 dias cada. As sugestões da Corregedoria ainda precisam ser avaliadas pelo Conselho de Ética antes de qualquer decisão final.
O processo tramita no órgão disciplinar da Casa, que deve analisar se houve quebra de decoro parlamentar na ocupação da Mesa Diretora. A invasão aconteceu em agosto de 2025 e interrompeu as atividades legislativas do plenário.
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