Itália descarta adesão a Conselho de Paz proposto por Trump
Decisão foi confirmada pelo chanceler italiano Antonio Tajani, que citou entraves jurídicos
O governo da Itália decidiu não participar do chamado “Conselho de Paz”, proposto por Donald Trump, por considerar que a estrutura do órgão viola a Constituição do país.
A posição foi confirmada neste sábado, 7, pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, que apontou entraves jurídicos.
Segundo Tajani, a Constituição italiana impede a adesão a organizações internacionais comandadas por um único líder, como prevê o conselho idealizado por Trump.
“Não podemos participar do ‘Conselho de Paz’ porque existe um limite constitucional. Continuamos dispostos a debater iniciativas relacionadas à paz. Estamos prontos para dar nossa contribuição em Gaza e também na formação da polícia”, afirmou o ministro.
O principal problema, de acordo com o chefe da diplomacia italiana, está no Artigo 11 da Constituição, que só autoriza a participação do país em organismos internacionais quando há igualdade entre os Estados-membros.
No Conselho de Paz, Trump teria poder decisório central e direito de veto, o que, segundo Tajani, configura um “obstáculo insuperável do ponto de vista jurídico”.
A posição italiana já havia sido antecipada pela primeira-ministra Giorgia Meloni, que alertou para “problemas, especialmente de caráter constitucional” na configuração atual do conselho.
França, Alemanha e Reino Unido também optaram por não integrar o órgão.
Conselho de Trump
O Conselho de Paz foi anunciado em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial de Davos. A iniciativa surgiu inicialmente como um mecanismo para supervisionar a trégua em Gaza e a reconstrução do território, mas teve seu escopo ampliado para a mediação de conflitos globais, o que intensificou críticas diplomáticas.
Apesar da recusa, Tajani disse que a Itália segue aberta a colaborar em outros formatos internacionais.
Após reuniões com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, à margem da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina, o ministro afirmou que o país pode contribuir, por exemplo, no treinamento de forças policiais em Gaza.
Até agora, cerca de 26 países constam como aderentes ao conselho, entre eles Catar e Egito.
A primeira reunião está prevista para 19 de fevereiro, um dia após um encontro entre Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
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