Clarita Maia na Crusoé: Violência política contra judeus e silêncio institucional

05.10.2026

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Clarita Maia na Crusoé: Violência política contra judeus e silêncio institucional
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Redação O Antagonista
3 minutos de leitura 08.02.2026 14:00 comentários
Brasil

Clarita Maia na Crusoé: Violência política contra judeus e silêncio institucional

Esquerda não demonstra disposição analítica, política e moral para reconhecer o nexo entre o crescimento do antissemitismo no Brasil e suas reiteradas falas ambíguas

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Clarita Maia na Crusoé: Violência política contra judeus e silêncio institucional
Ministra dos direitos humanos Macaé Evaristo com comunidade judaica. Foto: MDHC

O governo ensaia gestos simbólicos contra o antissemitismo, mas órgãos centrais do Estado seguem omissos, quando não extrapolam suas funções.

No dia seguinte ao Dia Internacional de Lembrança das Vítimas do Holocausto, lideranças e intelectuais da comunidade judaica foram recebidos em Brasília, na Casa Civil, por iniciativa do governo Lula, para discutir o avanço do antissemitismo no Brasil.

O encontro, tardio e carregado de simbolismo, deu-se após três anos de crescimento vertiginoso de crimes e discursos de ódio contra judeus — fenômeno amplamente documentado pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e reiteradamente noticiado pela imprensa — sem que, até então, houvesse qualquer resposta institucional consistente por parte do Poder Público.

O cenário agravou-se ainda mais com a decisão do Governo Lula de se retirar da Aliança Internacional para a Lembrança do Holocausto (IHRA), iniciativa internacional que oferece um conceito não vinculante de antissemitismo e orienta políticas públicas, práticas institucionais e ações educativas em mais de 40 países ao redor do mundo, sob a alegação pouco convincente de que tal definição seria “defeituosa” — ainda que, como reconhecido internacionalmente, ela admita adoção parcial, contextual e interpretativa, conforme as especificidades jurídicas e políticas de cada Estado.

Alívio e desconfiança

Não surpreende, portanto, que a iniciativa tenha sido recebida de forma ambígua, combinando alívio e desconfiança.

Alívio porque, finalmente, o tema ingressou na agenda oficial do governo.

Desconfiança porque o gesto ocorre em ano eleitoral e após um longo período de omissões. Mais do que a demora em si, o que chama atenção é a assimetria moral e política com que o fenômeno foi tratado ao longo desse período.

A esquerda brasileira foi vocal, e corretamente, ao associar falas e atitudes do ex-presidente Jair Bolsonaro ao aumento da violência contra a população LGBTQIA+.

A experiência internacional confirma a relação entre falas e ataques. O emblemático caso Akayesu, julgado pelo Tribunal Penal Internacional para Ruanda, demonstrou, de forma trágica, como discursos incendiários de líderes políticos podem catalisar crimes em massa.

Líderes públicos, por sua posição institucional, exercem um poder extraordinário não apenas por aquilo que dizem, mas também por aquilo que silenciam.

Essa mesma esquerda, contudo, não demonstrou igual disposição analítica, política e moral para reconhecer o nexo entre o crescimento do antissemitismo no Brasil e as reiteradas falas ambíguas, os silêncios…

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Comentários (2)

Marian

08.02.2026 17:45

Quer aproximação com  Israel, depois agressões verbais contra essa nação amiga ? Quem é o nosso embaixador em Israel? O país escolheu o lado dos terroristas e isso  escancara um antissemitismo disfarçado de crítica política.


Luis Eduardo R. Caracik

08.02.2026 14:40

Violência política contra judeus no Brasil??? De onde O Antagonista tirou isso? O que existe de fato no Brasil é um forte repúdio ao governo extremista e violento de Israel. Se lembrarmos das bandeiras de Israel nas manifestações políticas da extrema direita no Brasil, poderíamos seguindo a mesma linha, dizer que Israel pratica violência política no Brasil também. Se por acaso a presença destas bandeiras era apenas obra de bolsonaristas desnorteados, por que a Confederação Israelita ou a CIP jamais vieram a público para negar o envolvimento Israelita com aquelas manifestações?


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