Izabela Patriota na Crusoé: Trump não vai salvar a Venezuela
A presença americana não derrubou o regime chavista. Ao contrário, ajudou a mantê-lo em pé
Um mês após a operação militar na Venezuela, já é possível admitir o óbvio: o presidente americano não vai salvar o povo venezuelano.
Em momentos de desespero coletivo, a expectativa por um messias é compreensível. A figura do salvador costuma parecer mais atraente do que a realidade.
Regimes autoritários, sejam longos ou breves, deixam de existir de forma legítima quando já não conseguem sustentar nem mesmo seus próprios mecanismos de controle, ou seja, a repressão se torna cara, instável e politicamente inviável.
Transições democráticas não se consolidam por imposições externas.
A experiência das intervenções americanas ao longo das últimas décadas não é exemplo de sucessões exitosas.
O contraste está na história recente do Cone Sul, inclusive no Brasil, onde o colapso da legitimidade interna foi o elemento decisivo para a volta à democracia.
No Brasil, duas ditaduras marcaram o século 20. A de Getúlio Vargas durou 15 anos. A dos militares, 21. Nenhuma caiu por intervenção estrangeira.
Ambas se encerraram após desgaste interno, pressão popular e colapso da legitimidade do regime.
Na Argentina, a ditadura não resistiu à combinação de crise econômica, isolamento internacional e à derrota humilhante na Guerra das Malvinas.
No Uruguai, os militares tentaram se eternizar no poder por meio de um plebiscito. Perderam. A sociedade disse não, e a transição começou ali.
Até no Chile, o caso mais brutal e institucionalmente blindado, a ditadura acabou quando a própria população derrotou Pinochet nas urnas, dentro das regras que o regime havia criado para se legitimar.
Em todos esses casos, a democracia nasceu…
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