Enrique Rojas, psiquiatra: “A felicidade consiste em ter boa saúde e má memória”
Soltar o passado e cuidar do corpo pode ser mais transformador que conquistar tudo
A busca pela felicidade se tornou uma obsessão moderna que muitas vezes nos afasta do verdadeiro bem-estar. O renomado psiquiatra Enrique Rojas propõe uma visão revolucionária ao afirmar que a felicidade genuína nasce da combinação entre saúde física e a capacidade de não nos prendermos às experiências negativas do passado. Essa perspectiva desafia a cultura atual de autocobrança constante e oferece um caminho mais leve e sustentável para quem deseja viver melhor.
O que significa ter “má memória” para ser feliz?
Quando Rojas fala sobre má memória, não se refere a problemas cognitivos, mas sim à habilidade emocional de não ruminar experiências dolorosas. A mente humana tende a revisitar traumas, decepções e fracassos, criando um ciclo vicioso que alimenta ansiedade e depressão. Aprender a soltar essas amarras do passado é fundamental para construir um presente mais equilibrado.
Essa capacidade de deixar ir não significa negar a dor ou fingir que situações difíceis não aconteceram. Trata-se de processar adequadamente as experiências, extrair aprendizados necessários e seguir adiante sem carregar o peso emocional desnecessário. É um exercício diário de escolher onde depositamos nossa energia mental.
Como a saúde física influencia o bem-estar emocional?
A conexão entre corpo e mente é muito mais profunda do que imaginamos. Estudos comprovam que a prática regular de atividades físicas libera endorfinas, neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e alívio da dor. Uma alimentação equilibrada, sono de qualidade e hidratação adequada também impactam diretamente nosso humor e disposição mental.
Negligenciar a saúde física cria um terreno fértil para o desenvolvimento de transtornos emocionais. Quando o corpo está debilitado, a mente perde sua capacidade de resiliência, tornando-nos mais vulneráveis ao estresse, à irritabilidade e aos pensamentos negativos recorrentes.

Quais são os pilares práticos dessa filosofia de vida?
Para aplicar a sabedoria de Enrique Rojas no cotidiano, é necessário adotar práticas concretas que sustentem tanto a saúde quanto o desapego emocional. Algumas estratégias incluem:
- Cultivar rotinas de autocuidado que priorizem exercícios físicos regulares, alimentação nutritiva e horas suficientes de descanso reparador.
- Praticar técnicas de mindfulness e meditação para treinar a mente a permanecer no presente, reduzindo a ruminação sobre eventos passados.
- Estabelecer limites saudáveis em relacionamentos, aprendendo a perdoar e a se desapegar de mágoas que consomem energia vital.
- Buscar apoio profissional quando necessário, reconhecendo que pedir ajuda é sinal de força e não de fraqueza.
Por que essa abordagem funciona melhor que a busca incessante?
A cultura contemporânea vendeu a ideia de que a felicidade é uma meta a ser alcançada através de conquistas externas, como sucesso profissional, relacionamentos perfeitos ou bens materiais. Essa corrida desenfreada gera frustração constante porque a linha de chegada sempre se move, criando um ciclo de insatisfação perpétua.
A proposta de Rojas inverte essa lógica ao sugerir que a felicidade não está em algo que precisamos conquistar, mas em aprender a estar bem com o que já temos e somos. Ao cuidarmos da saúde e liberarmos o passado, criamos espaço interno para experimentar contentamento genuíno, independentemente das circunstâncias externas.

Como desenvolver essa capacidade de soltar o passado?
Desenvolver a “má memória” emocional requer prática consciente e, muitas vezes, orientação profissional. Terapias como a cognitivo-comportamental ajudam a identificar padrões de pensamento destrutivos e a substituí-los por perspectivas mais saudáveis. Escrever sobre experiências difíceis também pode ser catártico, permitindo que externalizemos a dor e ganhemos nova compreensão.
Outro aspecto fundamental é a autocompaixão, ou seja, tratar a si mesmo com a mesma gentileza que oferecemos a um amigo querido. Reconhecer que erros fazem parte da experiência humana e que merecemos seguir em frente, apesar das imperfeições, é libertador. Pequenas práticas diárias, como a gratidão e a celebração de conquistas simples, reforçam esse novo padrão mental.
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