O caracol que vence tubarões com um dos venenos mais mortais do mar
O problema é que muitos manuseiam o animal sem saber que se trata de um dos caracóis mais venenosos do mundo
Entre os habitantes discretos dos recifes tropicais, o caracol-cone geográfico se destaca por ser lento, pouco vistoso e, ao mesmo tempo, um dos predadores marinhos mais perigosos, despertando interesse tanto pelo risco a humanos quanto pelo potencial médico de seu veneno, especialmente no estudo do diabetes.
Onde vive o caracol-cone geográfico e por que é perigoso
Esse molusco, Conus geographus, habita recifes rasos do Indo-Pacífico, como Filipinas, Indonésia e norte da Austrália. Seu casco marrom e branco, semelhante a mapas, atrai mergulhadores e colecionadores.
O problema é que muitos manuseiam o animal sem saber que se trata de um dos caracóis mais venenosos do mundo. Um disparo de seu dente em forma de arpão pode injetar veneno suficiente para causar envenenamentos graves em humanos.
The geographic cone snail releases insulin into the water to stun its prey, then moves in to engulf and harpoon the fish with deadly neurotoxins pic.twitter.com/CiGIY4XrXd
— Nature Unedited (@NatureUnedited) February 4, 2026
Como funciona a estratégia de caça do caracol-cone geográfico
A estratégia de caça é altamente incomum. Em vez de perseguir peixes, o caracol libera na água uma “nuvem química”, o chamado “nirvana cabal”, que altera rapidamente o comportamento das presas.
Essa mistura deixa os peixes lentos e desorientados. Em seguida, o animal estende a probóscide, engloba vários peixes de uma vez e usa o dente-arpão para injetar neurotoxinas paralisantes, garantindo que a presa não escape.
De que forma age a insulina venenosa do Conus geographus
A palavra-chave é insulina venenosa. Diferente da insulina metabólica do próprio caracol, essa versão “armada” é produzida em glândulas especializadas e liberada diretamente no ambiente marinho.
Trata-se de uma insulina reduzida, muito potente e adaptada para receptores de peixes. Ao entrar na circulação, provoca queda abrupta de glicose, induz choque hipoglicêmico em segundos e favorece o torpor que antecede a ação das demais toxinas.
Quais são os principais riscos do caracol-cone geográfico para humanos
O mesmo arsenal que derruba peixes pode ser letal para pessoas, e não existe antídoto específico. Por isso, a prevenção em áreas com recifes é a principal medida de segurança.
As situações mais comuns de acidente envolvem contato direto com o animal. Entre os cuidados recomendados estão:
- Evitar manusear conchas vivas em recifes, sobretudo grandes e com padrão típico do cone geográfico;
- Usar luvas de proteção em pesquisa ou coleta profissional em ambientes costeiros;
- Em caso de picada, buscar atendimento imediato e informar suspeita de envenenamento por caracol-cone.
Veja o registro do canal Cone Snail sobre o caracol-cone geográfico:
Como o veneno do caracol-cone geográfico pode ajudar na medicina
O veneno reúne de 100 a 200 conotoxinas, cada qual atuando em alvos específicos do sistema nervoso ou do metabolismo. Essa precisão torna o caracol-cone uma fonte promissora de novas drogas seletivas.
A insulina ultrarrápida inspirada no Conus geographus é estudada para controlar picos de glicemia em pessoas com diabetes, e outras toxinas já geraram analgésicos potentes.
Técnicas de machine learning ajudam a prever novos alvos, acelerando a descoberta de terapias inovadoras.
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