“Eu nunca fiz uma reunião com o Vorcaro”, diz presidente do INSS
Waller Júnior afirma à CPI que recebeu ordem de Lula para fiscalizar operações e identificou problemas no contrato
Gilberto Waller Júnior, presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), negou nesta quinta-feira, 5, ter participado de qualquer encontro com Daniel Vorcaro, empresário que controla o Banco Master. Em depoimento à CPMI do INSS, ele afirmou que identificou irregularidades nos contratos de crédito consignado firmados pela instituição financeira com beneficiários da Previdência.
“O Vorcaro nunca foi ao INSS, porque eu sei que essa pergunta vão fazer. Eu nunca fiz uma reunião com o Vorcaro”, declarou Waller Júnior aos parlamentares. Ele garantiu que houve apenas dois encontros institucionais com dirigentes e advogados do banco, nos dias 31 de outubro e 10 de novembro de 2024.
O executivo do INSS disse ter recebido determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para intensificar a fiscalização sobre as operações que envolvem aposentados e pensionistas. “A nossa preocupação com aposentado e pensionista, por determinação do presidente da República, foi: ‘passe o pente-fino’”, afirmou.
Segundo Waller Júnior, a análise revelou problemas nos serviços oferecidos pelo Master. “A gente verificou que tinha algo errado com o Master. A gente entendeu que não tem como eles continuarem prestando serviço aos nossos aposentados e pensionistas com esse nível de reclamação”, disse à comissão.
Histórico de contratos levanta dúvidas
Dados obtidos pelo Estadão via Lei de Acesso à Informação mostram que o Banco Master mantinha apenas um contrato de consignado com beneficiários do INSS até novembro de 2022. O acordo foi assinado em 2020.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPI, convocou Waller Júnior para “esclarecer as medidas adotadas desde sua posse, avaliar a efetividade dos controles internos implementados e identificar responsabilidades administrativas no âmbito da gestão atual”.
Viana destacou a importância da participação do dirigente. “A presença do presidente do INSS é fundamental para garantir a transparência, fornecer informações oficiais à comissão e colaborar com as investigações sobre práticas que lesam os beneficiários e o erário público”, declarou o parlamentar.
Diretora afastada e disputa por poder
Durante o depoimento, Waller Júnior confirmou ter solicitado o afastamento de Léa Bressy, diretora de Tecnologia da Informação, que o substituía durante suas ausências. Ele justificou a decisão alegando “necessidade de mudança” e falta de resultados esperados.
O documento com o pedido foi enviado em novembro ao ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, que rejeitou a exoneração. Segundo informações do Estadão, Bressy tem vínculos com Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS preso pela Polícia Federal em novembro sob suspeita de participação em fraudes envolvendo descontos de aposentadorias e pensões.
Questionado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sobre essa conexão, Waller Júnior respondeu: “Não tenho provas disso, mas o que falam é que ela foi nomeada por ele, por proximidade”. Em dezembro, o Estadão revelou que Wolney planeja indicar Bressy para a presidência do INSS.
Gaspar criticou a situação. “O senhor perdeu autonomia de exonerar”, afirmou ao presidente do instituto. Na mesma sessão, parlamentares governistas e oposicionistas chegaram a um acordo para barrar a votação de requerimentos que investigam o Banco Master e aliados tanto de Lula quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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