Aranha “fantasma” que constrói seu próprio cadáver para enganar predadores
Nas profundezas da Amazônia peruana, um pequeno aracnídeo do gênero Cyclosa vem chamando a atenção de pesquisadores
Nas profundezas da Amazônia peruana, um pequeno aracnídeo do gênero Cyclosa vem chamando a atenção de pesquisadores por construir um boneco que imita o próprio corpo, usando restos de folhas, insetos mortos e outros fragmentos na teia.
O que torna a aranha que constrói isca tão singular?
A aranha que constrói isca cria uma réplica de si mesma com nível de detalhe incomum, sugerindo pernas, abdômen e a silhueta geral de uma aranha real. Estudos indicam que esse grau de semelhança supera o de outros registros do gênero Cyclosa, em que as estruturas eram mais toscas.
A principal hipótese é que essa réplica funcione como estratégia de defesa, atraindo ataques para o boneco em vez do corpo verdadeiro. Em um ambiente com intensa pressão de predadores, como pássaros e vespas, esse recurso visual pode aumentar significativamente as chances de sobrevivência.
Como a isca de aranha funciona na prática?
O chamado isca de aranha é feito com restos de presas, fragmentos vegetais e seda, posicionados de forma a sugerir um corpo alongado e pernas distribuídas em torno de um centro volumoso. Essa estrutura costuma ficar em área central da teia, onde é mais visível para possíveis predadores.

Pesquisadores já relataram ter confundido o boneco com uma aranha morta coberta por fungos, só percebendo o engano ao notar a verdadeira aranha acima, balançando a teia para dar movimento à réplica.
Esse controle das vibrações reforça a ilusão de um organismo vivo e aumenta o potencial de engano.
O que essa falsa aranha revela sobre o gênero Cyclosa?
O gênero Cyclosa é conhecido por usar detritos na teia para camuflagem e defesa, formando linhas ou aglomerados que escondem o animal ou desviam a atenção. No caso amazônico, porém, a estrutura vai além e assume forma explicitamente semelhante a uma aranha.
Essa semelhança sugere uma possível evolução comportamental, talvez criando a ilusão de um indivíduo maior ou menos vulnerável.
Até agora, cerca de duas dezenas de aranhas com esse comportamento foram registradas em área de várzea, mas sua distribuição real na Amazônia ainda é incerta.
Confira o registro do canal Wildlife Messengers sobre essa aranha fantástica:
Quais etapas compõem a construção da isca?
A construção do boneco parece seguir uma sequência básica de ações, que combinam seleção de materiais, organização estrutural e uso estratégico da teia. Essa rotina comportamental ajuda a transformar simples detritos em uma forma convincente de aranha.
- Seleção de materiais: escolha de restos de presas e fragmentos vegetais leves.
- Montagem da forma: arranjo dos elementos para sugerir cabeça, abdômen e pernas.
- Fixação na teia: posicionamento em área central ou mais visível da teia.
- Manipulação da teia: vibração controlada dos fios para dar movimento ao boneco.
Quais são os próximos passos da pesquisa sobre essa aranha amazônica?
Os pesquisadores buscam ampliar o número de observações em diferentes horários e locais, avaliando se todos os indivíduos da espécie constroem iscas e se há diferenças entre machos, fêmeas e juvenis.
Também pretendem medir a frequência de ataques dirigidos ao boneco em comparação à aranha real. Para confirmar se se trata de uma espécie nova, ainda serão necessárias coletas formais, análises em laboratório e permissos oficiais de pesquisa.
Enquanto isso, o registro dessa aranha que faz um “sósia” de si mesma destaca a criatividade evolutiva de pequenos invertebrados na complexa teia de interações da floresta tropical.
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