Brasileiro nos EUA usa IA para simular vozes de Lula e Moraes
Influenciador veste uniformes militares e usa ferramentas digitais para difundir diálogos fictícios envolvendo figuras políticas
Um brasileiro estabelecido em Orlando, nos Estados Unidos, tem ganhado audiência ao publicar áudios falsos produzidos por tecnologia de síntese de voz. Eduardo Henrique Matos divulga conteúdos que mimetizam falas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do STF, Alexandre de Moraes. As gravações insinuam a existência de planos ilícitos ou condutas irregulares por parte dos envolvidos.
Nos vídeos, Matos aparece vestindo fardas do Exército norte-americano ou trajes de xerife. O influenciador alega que os arquivos seriam provenientes de monitoramentos de órgãos de inteligência estrangeiros ou obtidos em setores restritos da internet. Apesar da encenação, não há evidências de que o criador de conteúdo tenha qualquer vínculo com instituições oficiais dos Estados Unidos.
Exército dos EUA desconhece Matos
O Exército dos Estados Unidos informou não possuir registros de Matos em seus quadros. Consultas à associação de xerifes da Flórida e à polícia do condado de Orange também resultaram em negativas sobre a participação do brasileiro nessas corporações. Antes da atividade atual, ele geria empresas de comércio de bonés em Brasília, que hoje constam em situação irregular.
Especialistas identificam nas gravações padrões típicos de manipulação por inteligência artificial. Os áudios exibem pausas silábicas artificiais e carecem de elementos naturais da fala humana, como respirações e hesitações. Algumas simulações apresentam sotaques divergentes dos originais ou explicações didáticas pouco comuns em diálogos privados entre autoridades.
Sobre as críticas à autenticidade do material, Matos declarou em um programa de áudio que os questionamentos visam retirar sua credibilidade por questões técnicas. Segundo o influenciador, não importa se o áudio é falso ou não, desde que o conteúdo “seja verdadeiro”.
Secretaria de Comunicação confirma falsidade
A Secretaria de Comunicação da Presidência da República confirmou a falsidade dos diálogos. O órgão governamental afirmou que “a propagação de desinformação tem efeitos devastadores para a sociedade em toda a sua forma – desde a concepção até a divulgação em si”. O material circula sem as etiquetas de identificação exigidas pelas plataformas digitais para conteúdos alterados.
As regras de comunidade da empresa Meta estipulam que mídias geradas artificialmente com potencial de enganar o público devem ser rotuladas. O perfil do brasileiro, que chega a 70 milhões de visualizações mensais, não segue tais parâmetros de transparência.
Durante a tentativa de contato do site Aos Fatos para esclarecimentos, o influenciador expôs dados pessoais do repórter responsável pela investigação, o que motivou a remoção de vídeos por assédio digital.
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