“A gente também não quer o confronto”, diz secretário de Segurança de SP
Nico Gonçalves lamenta por óbitos em confrontos e vincula estatística ao volume de trabalho das forças estaduais
Osvaldo Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública de São Paulo, apresentou nesta segunda-feira, 2, os indicadores de letalidade policial no estado. O balanço consolidado de 2025 indica que 834 pessoas morreram em decorrência de intervenções de policiais civis e militares, em serviço ou em períodos de folga.
O número representa um aumento de 21 vítimas em comparação ao período anterior. De acordo com os registros oficiais, o quarto trimestre do ano passado somou 276 mortes. Este volume de ocorrências no intervalo de três meses é o maior já registrado na série histórica para o período.
Durante entrevista coletiva, o titular da pasta comentou os dados e a atuação dos agentes de segurança. “A cada vez que morre um meliante na troca de tiro eu fico triste”, afirmou o secretário. Ele justificou o sentimento com base no contexto familiar dos envolvidos nos incidentes.
“Fico porque sei que a pessoa que morreu também tem família, filho, pai e mãe. Eu não queria isso. A gente também não quer o confronto, não”, declarou Nico Gonçalves. O secretário assumiu a gestão da pasta em dezembro, após atuar como secretário adjunto.
Produtividade e segurança dos agentes
A gestão estadual descarta que o índice signifique uma mudança de diretriz, mas sim um reflexo do aumento das atividades de campo. “Não é que aumentou. [É que] nós estamos trabalhando mais. Mais do que nunca”, disse o secretário.
Segundo Nico Gonçalves, a gestão monitora também o índice de resolutividade dos crimes, que apresentou crescimento no mesmo intervalo. A prioridade declarada pela pasta é a preservação da integridade física dos integrantes das corporações.
“O que não podemos é perder policiais no confronto”, pontuou o secretário durante a coletiva. Ele defendeu a atuação da polícia quando os agentes são recebidos com violência durante o cumprimento de deveres funcionais.
“A vida do policial também vale muito para mim. Um policial que sai de casa para trabalhar e é recebido à bala quando tenta ajudar”, afirmou.
Variação nos índices de crimes patrimoniais
O secretário apresentou dados sobre outras modalidades de crimes no território paulista. O roubo de cargas registrou o menor índice dos últimos 25 anos no estado. De modo geral, os roubos alcançaram o nível mais baixo da série histórica.
Apesar da redução geral, perímetros específicos da capital apresentaram elevação nos registros de furtos e roubos. Nove dos 93 Distritos Policiais da cidade tiveram alta nos indicadores. O Tatuapé, na zona leste, registrou crescimento de 35% nas ocorrências em 2025.
Outros pontos de atenção incluem o Parque Santo Antônio, com alta de 22%, e a Vila Sônia, com 12,2%. Nico Gonçalves mencionou as ações territoriais em áreas vulneráveis da cidade como parte da estratégia de governo.
“[São Paulo vive] Uma outra situação com o fim da cracolândia, com a extinção da favela do Moinho e com a coragem do governador para que conseguíssemos fazer a asfixia financeira [do PCC] no setor de hotéis”, declarou o secretário.
O titular da pasta projetou uma continuidade na queda dos indicadores criminais para os próximos ciclos. “Pode acreditar na gente. A gente faz o que gosta. Os índices estão abaixando e vão abaixar mais”, concluiu Nico Gonçalves.
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