Esse país europeu recebe menos turistas em 1 ano que Paris em 2 dias
Hotéis luxuosos viraram ruínas e parques de diversão estão cobertos de ferrugem
Entre prédios abandonados e vinhos premiados, o país mais pobre da Europa esconde contrastes que intrigam quem decide olhar além dos roteiros convencionais. Moldávia mistura passado soviético, economia frágil e um futuro cada vez mais ligado à União Europeia.
Por que a Moldávia é o país menos visitado da Europa?
A pobreza impacta diretamente turismo, infraestrutura e qualidade de vida no país. Enquanto Paris recebe em torno de 130 mil turistas por dia, a Moldávia atrai apenas cerca de 68 mil visitantes em um ano inteiro, evidenciando o abismo entre destinos consolidados e esquecidos.
Esse contraste fica visível em lugares como o antigo Hotel National, em Chisinau, que nos anos 70 era símbolo do esforço soviético para abraçar a modernidade. Hoje, o prédio está abandonado, com fachada quebrada, elevador destruído e andares inteiros em ruínas, apesar de sinais recentes de possíveis obras de renovação.
Como o canal Fabian Baggeler explora esse destino esquecido?
O Fabian Baggeler, com 656 mil inscritos, apresenta a realidade complexa de um país que passa despercebido nos roteiros europeus. O conteúdo revela desde mercados onde idosos vendem produtos para complementar aposentadorias até supermercados modernos com marcas ocidentais e preços que desafiam a lógica salarial local.
A investigação do canal mostra o desnível econômico através de histórias reais: uma aposentada que recebe cerca de 110 euros por mês, enquanto na Alemanha a média é de 1.100 euros. Ela lembra com detalhes a época da União Soviética, quando salários de 200 rublos duravam até o fim do mês e empregos eram estáveis em fábricas e na agricultura.
Quais curiosidades econômicas explicam a situação moldava?
A economia tem particularidades ligadas principalmente à agricultura e ao vinho, que formam a espinha dorsal do país. A seguir, dados que mostram como a Moldávia sobrevive e por que ainda enfrenta tantas dificuldades:
- Até 90% da produção de vinho é exportada, apenas 10% fica no mercado interno
- Cerca de 25% dos empregos estão ligados direta ou indiretamente ao setor vinícola
- Aproximadamente 38% dos postos de trabalho estão na agricultura, contra 1% a 2% na Alemanha
- Um policial moldavo ganha em média 350 a 400 euros por mês; na Alemanha, o mesmo cargo passa dos 3.000 euros
- Nos mercados, idosos vendem frutas, vinhos artesanais em garrafas de refrigerante e até oferecem serviços como pesar pessoas em balanças antigas

O que mudou com a aproximação da União Europeia?
Nos últimos anos, a União Europeia virou peça-chave na transformação moldava, tanto na economia quanto na política. O país se afastou gradualmente da influência russa e passou a direcionar comércio, investimentos e reformas para o lado ocidental, mudando desde bandeiras em prédios oficiais até livros escolares.
Esse movimento aparece em vários detalhes do dia a dia: restrição de canais de TV russos, troca de material didático em russo e a oficialização do nome da língua como romeno. Em 2024, a Moldávia iniciou formalmente as negociações de adesão à União Europeia, e mais de 1,5 bilhão de euros estão previstos até 2027 para obras de infraestrutura.
A tabela abaixo compara aspectos econômicos entre Moldávia e Alemanha:
Por que a Moldávia ainda vale a visita?
Apesar das dificuldades, o país guarda elementos que despertam curiosidade em quem gosta de destinos diferentes. Há vinhos renomados, gastronomia própria, arquitetura soviética preservada e uma história longa que remonta ao antigo Principado da Moldávia e à figura de Estêvão, o Grande, líder medieval que governou quase 50 anos.
Entre parques de diversão antigos com rodas-gigantes enferrujadas, circos monumentais abandonados, observatórios soviéticos esquecidos e apartamentos típicos herdados da era comunista, a Moldávia oferece um retrato raro de um país em transição. Quem se interessar por esse tipo de cenário encontra ali um prato cheio de histórias sobre um dos destinos menos conhecidos da Europa.
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