Fachin tenta salvar o STF
Presidente do tribunal insiste no código de ética, contra a resistência de colegas que não se tocaram para a importância da iniciativa
Mesmo sem o apoio entusiasmado dos colegas, Edson Fachin (foto) resolveu avançar com a criação de um código de ética para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente do STF anunciou Cármen Lúcia como responsável por elaborar as regras, que deverão ser criadas não para limitar o trabalho dos ministros, para tentar proteger o tribunal.
É isso que os juízes mais resistentes ao código ainda não entenderam: isso é uma resposta do tribunal a uma demanda popular, e para preservar a institucionalidade da Corte.
Os ministros resistentes não entenderam ou não querem entender, porque, como já foi dito em O Antagonista, ou se salva o STF ou se salvam seus ministros.
E dificilmente se salvarão o STF e todos seus ministros — aliás, é provável que o STF só se salve mesmo se algum de seus ministros não se salvar.
Sem confusão
O tribunal chegou à atual crise exatamente porque os ministros se confundiram com a instituição e se esconderam atrás dela sempre que foram questionados individualmente, degradando a insittuição.
Como lembrou Fachin em seu discurso de abertura do ano judicial, contudo, “os ministros respondem pelas escolhas que fazem”.
“As decisões que nós todos tomamos, os casos que priorizamos, a forma como nos comunicamos, tudo isso importa”, disse o presidente do STF, para quem “o momento histórico é também de ponderações e de autocorreção”.
Autocorreção
Pode ser que essa autocorreção não seja o bastante para contentar aqueles que se sentiram prejudicados pelo protagonismo político do STF nos últimos anos, mas, do ponto de vista institucional, isso é essencial para recuperar a legitimidade do tribunal.
Isso se aplica especialmente em um momento em que seus juízes são questionados por conflito de interesses naquele que se anuncia como um dos maiores casos de corrupção dos últimos anos.
Proteger um ministro do STF não é o mesmo que proteger o STF, porque a instituição sempre merecerá defesa, mas seus ministros, a depender do que fizerem, não.
Leia mais: Toffoli explicou tudo, menos o inexplicável
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Comentários (3)
Angelo Sanchez
03.02.2026 14:08Sabe o que quer dizer "dar murros em ponta de faca", é o que este Supremo cúmplice da corrupção fez ao descondenar um corrupto julgado culpado em tres instâncias, o "descondenado" acabou ganhando por muito pouco as eleições, fraudando a campanha política, prejudicando seus adversários durante o horário eleitoral, agora não dá pra salvar a honra do STF que se foi pro esgôto, e continua fazendo mherda ao perseguir adversários políticos do corrupto condenado, porém eleito.
Claudemir Silvestre
02.02.2026 19:49Salvar o STD, com Moraes e Toffoli como juízes ???? Que jeito ???
Mauricio Henriques
02.02.2026 17:36Não há código que solucione a falta de ética e princípios de certos ministros do STF.