Dormir mal pode acelerar o Alzheimer e a ciência começa a entender por quê
Dormir também é tratamento preventivo
Durante muito tempo, o sono foi tratado apenas como descanso. Hoje, pesquisadores enxergam algo bem mais sério: dormir mal pode estar diretamente ligado ao avanço do Alzheimer. Estudos recentes mostram que o sono influencia processos químicos profundos do cérebro, inclusive aqueles associados ao acúmulo das proteínas mais perigosas da doença.
Qual é a ligação entre sono ruim e Alzheimer?
Distúrbios do sono aparecem com frequência antes mesmo dos primeiros sinais clássicos do Alzheimer, como falhas de memória e declínio cognitivo. Isso sugere que o sono e Alzheimer estão conectados desde os estágios iniciais da doença.
Quando o sono é fragmentado ou superficial, o cérebro perde parte da sua capacidade de se limpar durante a noite. Esse processo de “faxina cerebral” é essencial para remover resíduos metabólicos acumulados ao longo do dia.

O que acontece no cérebro enquanto dormimos?
Durante o sono profundo, o cérebro ativa um sistema de limpeza que remove proteínas tóxicas, incluindo a beta-amiloide e a proteína tau. Essas substâncias estão diretamente associadas às placas e emaranhados observados no Alzheimer.
Quando o sono é interrompido, esses resíduos permanecem no tecido cerebral. Com o tempo, o acúmulo contínuo contribui para alterações estruturais e funcionais nos neurônios.
Remédios para dormir podem reduzir proteínas ligadas ao Alzheimer?
Um estudo recente investigou o efeito de um medicamento usado para insônia chamado suvorexant. Participantes saudáveis que usaram o remédio por apenas duas noites apresentaram uma redução temporária nos níveis de proteínas associadas ao Alzheimer.
Os resultados mostraram queda de até 20% na beta-amiloide e redução momentânea de algumas formas da proteína tau. Embora o efeito tenha sido curto, ele reforça a importância do sono profundo na regulação química do cérebro.

Tomar remédio para dormir previne Alzheimer?
Apesar dos achados promissores, especialistas alertam que ainda é cedo para considerar medicamentos como forma de prevenção. O uso prolongado de remédios para dormir pode causar dependência e prejudicar a qualidade do sono, tornando-o mais superficial.
Além disso, os efeitos observados até agora foram temporários e aconteceram em adultos sem problemas cognitivos. A relação entre remédios para dormir e prevenção do Alzheimer ainda precisa de estudos mais longos e amplos.
O que essa descoberta muda na forma de cuidar do cérebro?
Essas evidências reforçam que dormir bem não é luxo, mas uma necessidade biológica profunda. Cuidar do sono pode ser uma das formas mais acessíveis de proteger a saúde cerebral ao longo da vida.
Embora ainda não exista cura ou tratamento definitivo para o Alzheimer, melhorar a qualidade do sono, tratar distúrbios como apneia e respeitar o ritmo natural do corpo são estratégias reais para manter o cérebro mais saudável.
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