Por que o doomscrolling vicia tanto e como ele sequestra sua atenção sem você perceber
Sua atenção virou produto
Você pega o celular para ver uma notificação rápida e, quando percebe, passou uma ou duas horas rolando a tela sem lembrar quase nada do que viu. Não é falta de disciplina nem preguiça mental.
O doomscrolling é resultado de mecanismos neurológicos bem estudados que exploram a forma como o cérebro humano reage a recompensas, incerteza e estímulos constantes.
Por que ficamos presos ao celular mesmo sem querer?
A sensação de estar “em transe” diante da tela tem explicação científica. O cérebro é programado para buscar novidade, e cada rolagem ativa o sistema de recompensa do cérebro. Notificações, vídeos curtos e manchetes funcionam como pequenas promessas de algo interessante.
O problema é que essas recompensas não são garantidas. Às vezes aparece algo envolvente, muitas vezes não. Essa imprevisibilidade mantém a atenção presa, criando um ciclo difícil de interromper.

O que a psicologia explica sobre recompensas imprevisíveis?
Experimentos clássicos da psicologia mostraram que recompensas intermitentes geram mais dependência do que recompensas previsíveis. Esse princípio ficou conhecido como reforço intermitente.
O cérebro libera dopamina quando existe a possibilidade de recompensa, não apenas quando ela acontece. É o mesmo mecanismo usado em jogos de azar e, hoje, replicado com precisão pelas redes sociais.
Como os algoritmos usam isso contra nossa atenção?
As plataformas digitais são movidas por algoritmos de redes sociais que aprendem rapidamente o que prende seu olhar. Eles priorizam conteúdos que provocam emoções fortes, como medo, raiva ou curiosidade, porque isso gera mais engajamento.
O objetivo não é informar melhor, mas manter você dentro do aplicativo. Atenção virou um ativo econômico. Quanto mais tempo você permanece rolando a tela, mais dados são coletados e mais anúncios podem ser exibidos.
O canal Psych2Go, no YouTube, explica melhor como se livra do doomscrolling no seu cotidiano e aproveitar melhor os seus dias:
Doomscrolling é vício ou apenas hábito moderno?
Segundo especialistas, podemos falar em dependência digital quando a ausência do estímulo gera ansiedade e desconforto. Dois fatores são decisivos: acesso constante e repetição. O celular está sempre à mão, do despertar ao momento de dormir.
Com o tempo, o cérebro desenvolve tolerância aos estímulos rápidos e fragmentados. Isso reduz a capacidade de lidar com silêncio, espera e tarefas longas, favorecendo a fadiga mental e a dificuldade de concentração.
O que esse comportamento revela sobre nossa mente?
O doomscrolling mostra que a atenção humana é moldável e vulnerável a estímulos bem desenhados. Não se trata de fraqueza individual, mas de um sistema construído para explorar limites cognitivos.
Reconhecer esse mecanismo é o primeiro passo para recuperar controle. Usar tecnologia com consciência significa entender que ela não foi criada para o seu bem-estar, mas para disputar cada segundo da sua mente.
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