O peixe que vive fora d’água e se esconde em troncos secos nos manguezais
Quando a água some, a vida encontra outro caminho
Em manguezais castigados pelo sol, onde a lama endurece e a água desaparece por semanas, um tronco seco parece apenas parte da paisagem morta. Mas, dentro dele, a vida segue ativa.
Existe um peixe real, estudado pela ciência, capaz de viver fora d’água, respirar ar atmosférico e transformar madeira oca em abrigo. Seu nome é Periophthalmus barbarus, e sua estratégia de sobrevivência intriga biólogos há décadas.
Como um peixe consegue viver fora d’água por tanto tempo?
O peixe que vive fora d’água conhecido como Periophthalmus barbarus desenvolveu uma adaptação raríssima entre os peixes. Ele consegue absorver oxigênio diretamente do ar, mantendo funções vitais ativas mesmo quando não há água disponível ao redor.
Quando poças e canais secam, essa espécie não entra em pânico nem tenta migrar longas distâncias. Em vez disso, reduz o metabolismo e passa a respirar em ambientes úmidos, provando que a respiração por brânquias não é uma regra absoluta na natureza.

Por que o Periophthalmus barbarus se esconde em troncos secos?
Durante a estiagem nos manguezais, o ambiente se torna extremo. O solo racha, o calor aumenta e o oxigênio praticamente desaparece da lama. É nesse momento que o peixe do mangue procura troncos ocos, fendas de raízes e cavidades naturais.
Esses locais funcionam como um abrigo natural em manguezais, mantendo umidade por mais tempo, temperatura mais estável e proteção contra predadores. O tronco deixa de ser madeira morta e vira um verdadeiro bunker biológico.
Ele entra em hibernação ou permanece consciente?
Um dos aspectos mais impressionantes do Periophthalmus barbarus é que ele não entra em hibernação profunda. Pesquisas indicam que o peixe permanece consciente, apenas com um metabolismo reduzido, economizando energia sem perder a capacidade de reação.
Isso significa que ele fica atento a vibrações, umidade e mudanças no ambiente. Assim que a maré retorna ou a chuva alaga novamente o manguezal, o peixe abandona o tronco e volta rapidamente à vida aquática.
A BBC disponibilizou um vídeo, em seu canal do YouTube, contando um pouco mais sobre esse peixe:
Esse peixe muda a definição científica do que é um peixe?
O comportamento do peixe respirador de ar fez cientistas questionarem conceitos clássicos da biologia. Afinal, se um peixe consegue viver fora d’água por dias ou semanas, a dependência total do ambiente aquático deixa de ser um critério absoluto.
O Periophthalmus barbarus se tornou um modelo de estudo sobre adaptação extrema, mostrando como a evolução cria exceções funcionais quando o ambiente exige soluções fora do padrão.
Por que o Periophthalmus barbarus é tão importante para a ciência?
Estudar esse peixe ajuda a entender como espécies podem reagir a secas prolongadas, mudanças climáticas e ambientes instáveis. Ele oferece pistas valiosas sobre adaptação extrema, resistência celular e sobrevivência em condições hostis.
Mais do que uma curiosidade dos manguezais, esse peixe é um lembrete poderoso de que sobreviver não depende apenas de força, mas da capacidade de se moldar ao ambiente quando tudo parece perdido.
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