Arquivos inéditos do caso Epstein citam Musk, Gates, Trump e família real
Material reúne mais de três milhões de páginas, além de cerca de 180 mil imagens e 2 mil vídeos
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou na sexta-feira, 30, o maior conjunto de documentos já tornado público sobre o caso Jeffrey Epstein (foto), financista condenado por crimes sexuais e morto em 2019. O material reúne mais de três milhões de páginas, além de cerca de 180 mil imagens e 2 mil vídeos.
Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, o volume equivale a “cerca de duas Torres Eiffel de páginas”.
Os arquivos incluem e-mails, mensagens, relatórios de investigação, registros do sistema prisional e documentos relacionados à morte de Epstein.
O financista foi encontrado morto em sua cela em uma prisão de Manhattan, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual de menores.
Cautela com o conteúdo
O Departamento de Justiça alertou que parte do material pode conter informações falsas, denúncias não verificadas ou conteúdos enviados ao FBI sem comprovação, especialmente no período que antecedeu a eleição presidencial de 2020.
A pasta também destacou que a simples menção de nomes nos documentos não implica envolvimento em crimes ou irregularidades.
Figuras públicas citadas
O novo lote de arquivos menciona empresários, políticos e celebridades que, em diferentes momentos, tiveram contato com Epstein.
As referências variam de trocas de mensagens a registros de encontros sociais e convites, sem que haja, na maioria dos casos, indícios de ilegalidade.
Entre os nomes citados estão bilionários do setor de tecnologia, integrantes da realeza britânica e ex-chefes de Estado.
Elon Musk
Trocas de mensagens de 2013 mostram Elon Musk, bilionário fundador da Tesla e da SpaceX, perguntando a Epstein sobre a possibilidade de visitá-lo em sua ilha no Caribe.
Em um dos e-mails, Musk questiona: “há um bom momento para visitar?”.
Epstein respondeu que “sempre há espaço para você”, mas os documentos não indicam que a visita tenha ocorrido.
Em publicação no X, Musk comentou: “Ninguém pressionou mais do que eu para que os arquivos de Epstein fossem divulgados.”
Bill Gates e Richard Branson
Em um e-mail de 2011, Epstein disse ter passado o dia com Bill Gates, cofundador da Microsoft, “tendo uma diversão monstruosa”.
A Fundação Gates reagiu afirmando: “Essas alegações são absolutamente absurdas e completamente falsas”.
Os arquivos também mencionam uma visita planejada à ilha de Richard Branson, fundador do grupo Virgin.
A empresa afirmou que qualquer contato foi limitado, antigo e interrompido após uma diligência interna sobre Epstein.
Ghislaine Maxwell
Entre os documentos divulgados está o registro policial de Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein e considerada peça central no esquema de tráfico sexual.
Ela cumpre pena de 20 anos de prisão nos Estados Unidos.
O material inclui fotos tiradas no momento da prisão, em 2 de julho de 2020. A Suprema Corte dos EUA rejeitou um recurso apresentado por Maxwell.
Menções a Donald Trump
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, é citado centenas de vezes nos arquivos. Parte do material reúne denúncias enviadas por cidadãos ao FBI, muitas delas sem provas verificadas.
O Departamento de Justiça afirmou que “alguns dos documentos contêm alegações falsas e sensacionalistas contra o presidente Trump”.
Ele nega qualquer irregularidade e nunca foi acusado formalmente no caso Epstein.
Bolsonaro e Lula
Os documentos também mencionam Jair Bolsonaro e Lula, sem apresentar indícios de contato direto entre os dois brasileiros e Epstein.
No caso de Bolsonaro, aparecem mensagens trocadas entre Epstein e Steve Bannon sobre a eleição brasileira de 2018. Lula é citado em e-mails cuja veracidade foi negada pela Presidência da República.
Leia também: Arquivos do caso Epstein mostram influência de Steve Bannon sobre os Bolsonaro
Família real britânica
Parte dos arquivos envolve Andrew Mountbatten-Windsor, filho da rainha Elizabeth 2ª, que perdeu o título de príncipe após o escândalo Epstein.
Entre os documentos estão imagens que parecem mostrar Andrew de quatro sobre uma mulher, sem data ou contexto.
E-mails indicam que Andrew convidou Epstein para o Palácio de Buckingham em 2010, pouco depois de o financista deixar a prisão domiciliar.
Em uma das mensagens, Andrew escreve: “Poderíamos jantar no Palácio de Buckingham e ter muita privacidade”.
Em outro e-mail, afirma: “Adoraria que viesse aqui ao Palácio. Traga quem quiser”. Andrew negou “veementemente” qualquer acusação relacionada ao caso.
Sarah Ferguson
Os documentos também revelam trocas de mensagens envolvendo Sarah Ferguson, ex-esposa de Andrew. E-mails mostram que Epstein e sua assessoria queriam que ela divulgasse uma declaração dizendo que ele “não era pedófilo”.
Em mensagens anteriores, Ferguson chamou Epstein de “o irmão que sempre desejei”.
Em 2011, afirmou: “Eu jamais teria qualquer relação com Jeffrey Epstein novamente. Abomino a pedofilia e qualquer abuso sexual de crianças. Foi um erro gigantesco de julgamento.”
Atrasos
A lei que determinou a divulgação dos documentos previa a liberação completa até dezembro, prazo que não foi cumprido. O primeiro lote frustrou parlamentares por trazer poucas informações novas.
Segundo Todd Blanche, este terceiro conjunto pode ser a última grande liberação do caso. O Departamento de Justiça afirmou que censurou dados sensíveis das vítimas e materiais que envolviam abuso sexual infantil.
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