“Bolsonaro não veio do nada, ele reflete o país”, diz Wagner Moura
Ator indicado ao Oscar discute a relação entre líderes políticos e a sociedade em diálogo com a imprensa estrangeira
Wagner Moura, indicado ao Oscar por seu trabalho em O Agente Secreto, disse que a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro e Donald Trump não é coincidência. Em entrevista à revista Variety, examinou as percepções externas sobre o território nacional e as reações institucionais a episódios de instabilidade política.
Moura afirmou que a visão externa do Brasil, construída sobre o clichê das festas populares, do futebol e do clima tropical, é acompanhada por desigualdades e problemas históricos. Segundo ele, a estrutura social do país é marcada pela concentração de poder e pelos reflexos da abolição tardia da escravidão.
“A imagem alegre é precisa: o calor, a cultura, a música, a comida – a melhor comida. Mas o Brasil também foi o último país a abolir a escravidão. A desigualdade é enorme. O poder está concentrado”.
O ator lembrou a frase de Tom Jobim: “O Brasil é complexo. Como disse Tom Jobim, o Brasil não é para iniciantes. [O ex-presidente Jair] Bolsonaro não veio do nada – ele reflete o país, assim como Trump reflete a América”.
Bolsonaro no Brasil, Trump nos EUA
O ator comparou as invasões ocorridas em Washington, em 2021, e em Brasília, em 2023. Para Wagner Moura, a resposta dada pelo sistema judiciário brasileiro aos ataques foi superior à dos Estados Unidos.
“Quando eu estava fazendo Guerra Civil, pensava constantemente em como o Brasil reagiu de maneira diferente à nossa insurreição – de uma maneira melhor do que vocês, porque o Brasil foi rápido em fazer a coisa certa e enviar a mensagem de que não se pode mexer com a democracia. Mandamos pessoas para a prisão. Bolsonaro está preso”.
A análise se estendeu à conduta das instituições norte-americanas perante ameaças à ordem democrática. O ator expressou que a ausência de consequências severas naquele país pode ser interpretada como uma falta de limites.
“Na América, é como se eles estivessem testando, como uma criança. Eles dizem: ‘Eu vou fazer isso’ e, se não houver reação, o que acontece? Sinto que os EUA e as suas instituições não estão respondendo com a firmeza adequada – estabelecendo limites, as pessoas enfrentando consequências”.
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Comentários (2)
Antonio Caio Alcântara Botellho
30.01.2026 21:23Está na hora de Trump caçar o visto dele.
Marian
30.01.2026 21:09E por isso que se mudou para a capital mundial do capitalismo imperialista? rs