Os bastidores do polêmico documentário sobre Melania Trump
Produção dirigida por Brett Ratner envolve pagamentos de US$ 28 milhões à protagonista e questionamentos sobre influência corporativa no governo federal
O filme Melania: Twenty Days to History, com estreia prevista para o Kennedy Center, em Washington, D.C., resultou de um licenciamento de US$ 40 milhões pela Amazon Studios. O montante representa o valor mais alto pago pela plataforma por esse tipo de conteúdo. A primeira-dama ficará com cerca de US$ 28 milhões, o que corresponde a 70% da transação.
O projeto teve exibição fechada na Casa Branca para convidados como o executivo Tim Cook e o ex-pugilista Mike Tyson. Os convites para o evento continham avisos sobre normas éticas para funcionários públicos que aceitassem presentes. A Amazon superou ofertas de outros estúdios de entretenimento para assegurar os direitos da obra.
Conflitos de interesse e logística de produção
O contrato foi fechado após reuniões entre Jeff Bezos e a família Trump na Flórida. Empresas de Bezos têm vínculos contratuais bilionários com órgãos como o Departamento de Defesa e a NASA. Don Fox, ex-diretor interino do escritório de ética dos EUA, indicou que o órgão desaconselharia tal pacto.
Segundo Fox, “parece que se está comprando acesso e comprando favores”. Em defesa da legalidade, o especialista explicou que “a primeira-dama é, para fins éticos, considerada uma cidadã comum, portanto, os estatutos de conflito de interesse e as regulamentações para outros funcionários do poder executivo simplesmente não se aplicam”.
A execução do documentário mobilizou três frentes de trabalho em locais distintos. Profissionais descreveram o processo como carente de organização. “As pessoas trabalharam muito pesado. Horas muito longas, altamente desorganizado, muito caótico”, relatou um funcionário que atuou no set de filmagens.
As normas de segurança do Serviço Secreto alteraram a dinâmica tradicional de gravação. Um colaborador mencionou que “com a primeira-dama e o Serviço Secreto, você não pode simplesmente fazer as coisas que costuma fazer”. Aproximadamente dois terços dos integrantes da equipe de Nova York não quiseram seus nomes nos créditos.
Comportamento do diretor e investimentos publicitários
Brett Ratner, o diretor, enfrentou críticas internas por sua conduta durante o trabalho. O cineasta foi acusado por assédio sexual em 2017; ele nega as acusações.“Brett Ratner foi a pior parte de trabalhar neste projeto”, afirmou um integrante da produção.
Outros depoimentos citam a falta de consideração do diretor com as necessidades básicas dos técnicos. Um profissional relatou que “Falava-se mais sobre o Brett ser asqueroso do que sobre a Melania”. Apesar da proximidade com a família Trump, Ratner não possui registros de doações para campanhas do ex-presidente.
A Amazon direciona US$ 35 milhões extras para a divulgação do longa-metragem. A publicidade inclui espaços na liga de futebol americano e exibições em Las Vegas. Embora as projeções de bilheteria sejam baixas, o estúdio afirma que licenciou o filme apenas “porque achamos que os clientes vão adorar”.
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