Falcão-peregrino volta às cidades para acabar com a “praga verde”
Nos últimos anos, a vida selvagem das grandes cidades britânicas passou por uma transformação silenciosa
Nos últimos anos, a vida selvagem das grandes cidades britânicas passou por uma transformação silenciosa, marcada pelo retorno do falcão-peregrino ao ambiente urbano e pela expansão dos bandos de periquitos-de-colar.
Esses dois protagonistas ajudam a revelar como construções altas, iluminação artificial e oferta de alimento proporcionada pelo cotidiano humano remodelam nichos ecológicos, interações entre espécies nativas e exóticas e a própria cadeia alimentar em poucos quarteirões.
Como o falcão-peregrino se tornou um predador urbano?
O falcão-peregrino, antes associado a falésias e paredões rochosos, recuperou suas populações no Reino Unido após a redução de pesticidas e maior proteção legal. Aproveitando essa recuperação, passou a explorar cidades como extensão de seu território natural.
No ambiente urbano, encontra altura, visibilidade e abundância de presas, como pombos, estorninhos e gaivotas. Catedrais, arranha-céus e torres substituem penhascos, oferecendo locais seguros de nidificação e amplo campo de visão para caça.

De que forma o periquito-de-colar altera a fauna das cidades?
O periquito-de-colar, originário da África e da Ásia, expandiu-se a partir de cativeiros para parques e bairros urbanos britânicos. Adaptável, alimenta-se em grupo, usa cavidades prontas e tolera bem a presença humana, formando grandes bandos em Londres e arredores.
Essa expansão gera disputas com aves nativas por cavidades em árvores e estruturas construídas, além de relatos de danos a pomares e saturação de comedouros. Ao se tornar presa regular do falcão-peregrino, passa também a integrar de forma estável a cadeia alimentar urbana.
Como as câmeras em ninhos ajudam a entender essas interações?
Câmeras instaladas em ninhos de falcões-peregrinos permitem registrar continuamente o que os adultos levam aos filhotes, transformando cada presa identificada em dado sobre a fauna local. Esses registros aproximam pesquisa científica e observação cidadã em tempo real.
A partir desses sistemas de monitoramento, é possível acompanhar diversos aspectos da dinâmica urbana:
- Frequência de pombos, periquitos e outras aves na dieta dos falcões;
- Mudanças sazonais e anuais no cardápio das aves de rapina;
- Diferenças entre cidades, bairros e tipos de ambiente construído.

De que maneira a caça em meio a prédios e parques ocorre?
Nas cidades, o falcão-peregrino combina sua típica caça em mergulho com o uso estratégico da arquitetura. Ele escolhe pontos altos para monitorar o movimento de bandos ao longo de rios, avenidas, linhas férreas e fileiras de árvores.
Periquitos-de-colar, que seguem rotas fixas entre dormitórios e áreas de alimentação, tornam-se previsíveis para o predador. Fachadas, sombras e corredores urbanos ajudam o falcão a se aproximar em alta velocidade, capturando presas em pleno voo com grande eficiência.
Que lições essa interação traz para a gestão da fauna urbana?
A convivência entre falcão-peregrino e periquito-de-colar mostra que cidades podem favorecer tanto a recuperação de um predador nativo quanto a expansão de uma espécie introduzida. Verticalização, oferta de alimento e fragmentação de áreas verdes criam condições para esses processos.
Para o planejamento urbano, isso evidencia a necessidade de considerar efeitos em cadeia: proteção de grandes predadores, impacto de espécies invasoras na disputa por cavidades e importância do monitoramento contínuo para ajustar políticas de manejo da fauna.
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