Os detalhes da denúncia contra Tanure
Juíza aceitou denúncia contra empresário por uso de informações privilegiadas em operações da Gafisa
A juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, aceitou a denúncia contra Nelson Tanure e Gilberto Benavides por informações privilegiadas em operações da Gafisa.
A decisão foi tomada após o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), devolver o processo à primeira instância por não ver relação com o caso Master.
“Verifico que não há mudança no panorama processual e que as questões relativas ao mérito da acusação não impedem o recebimento da denúncia, principalmente por exigirem ampla dilação probatória no curso da ação penal. Ante o exposto, recebo a denúncia formulada em face de Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure e Gilberto Bernardo Benevides e determino a continuidade do feito”, escreveu a juíza.
Segundo a Polícia Federal (PF), Tanure é apontado como “sócio oculto” da instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Em fevereiro, Maria Isabel havia remetido o processo ao STF atendendo a um pedido da defesa de Tanure.
O caso foi enviado ao STF, apesar de manifestação contrária do MPF, que alegou não existir conexão da investigação com a Operação Compliance Zero, que mirou a cúpula do Master.
Decisão
Após a remessa de Toffoli, a magistrada decidiu suspender temporariamente o prazo para resposta à acusação até todas as partes terem acesso aos autos do processo.
Além disso, a juíza solicitou que os interessados, incluindo o fundo ESH Theta, Vladimir Timerman e a CV, se manifestem sobre seu interesse em continuar participando do processo.
Vladimir é fundador da Esh Capital, uma gestora de investimentos brasileira focada em fundos multimercados e ações. Ele contra o fundo ESH Theta, que é acionista majoritário da Gafisa. Nos últimos anos, Vladimir tem disputado o controle e denunciado supostas irregularidades da empresa investigada, especialmente o controle exercido por Tanure.
No prazo de dois dias, a defesa de Tanure deverá se posicionar sobre a limitação de acesso aos autos e confirmar se continuará defendendo os acusados
Denúncia
O Ministério Público Federal (MPF) denunciou Tannure por supostamente utilizar informações privilegiadas para obter vantagens financeiras com ações da construtora Gafisa, da qual é acionista de referência.
O caso está relacionado à aquisição da construtora Upcon pela Gafisa, ocorrida em 2019.
Segundo a denúncia, Tanure teria agido em conluio com o proprietário da Upcon para obter um ganho estimado em R$ 18,3 milhões, por meio de ações da Gafisa transferidas a preços descontados.
A investigação aponta que, pouco antes da transação, Tanure concedeu um empréstimo de R$ 118 milhões ao dono da Upcon, elevando artificialmente o valor da empresa, cuja compra ocorreria por meio de troca de ações.
Quando a aquisição foi concretizada, Tanure recebeu parte das ações de forma sigilosa. De acordo com o MPF, a operação resultou em uma participação de 12,65% na Gafisa para Tanure, adquirida com um desconto de 12%.
Operação Compliance Zero
A primeira fase da Operação Compliance Zero ocorreu em novembro de 2025, quando sete pessoas foram presas, incluindo Vorcaro.
O banqueiro é apontado como o principal integrante do grupo responsável por ter promovido fraudes financeiras com um prejuízo estimado em 12 bilhões de reais.
O foco da investigação está na venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
Segundo os investigadores, a instituição financeira emitia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado.
O retorno é considerado irreal pelas autoridades.
Leia também: Toffoli bloqueia patrimônio de Tanure em investigação do Banco Master
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)