Macron reafirma soberania da Groenlândia e anuncia consulado em Nuuk
Governo francês formaliza apoio diplomático à Dinamarca e defende autonomia do território ártico diante de interesses estrangeiros
O presidente da França, Emmanuel Macron, recebeu a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, em Paris. O encontro no Palácio do Eliseu, ocorrido nesta quarta-feira, 28, serviu para ratificar a posição francesa em relação à integridade territorial dinamarquesa.
Durante a recepção oficial, Macron utilizou termos em groenlandês para saudar os representantes. O gesto acompanhou o anúncio da abertura de um consulado francês em Nuuk, capital da Groenlândia, prevista para o início de fevereiro.
O diplomata Jean-Noël Poirier será o responsável pela instalação da nova representação diplomática no território ártico. A medida visa formalizar a presença francesa na região e monitorar as movimentações geopolíticas no Hemisfério Norte.
Macron declarou que “a Groenlândia não será vendida nem tomada. Os groenlandeses decidirão seu próprio futuro”. A fala refere-se à intenção do governo dos Estados Unidos de adquirir a ilha.
Em discurso subsequente, o líder francês afirmou em dinamarquês que o país europeu manterá o apoio à Dinamarca perante as investidas americanas. Segundo ele, “a França continuará engajada ao lado da Dinamarca”.
Rearmamento e cooperação continental
Jens Frederik Nielsen agradeceu o apoio diplomático e associou a preservação da ilha à manutenção dos valores democráticos: “Vocês ficaram do nosso lado em uma situação extremamente difícil. Não nos esqueceremos”, afirmou o líder groenlandês.
Antes da reunião no Palácio do Eliseu, os representantes dinamarqueses participaram de um debate com estudantes na Sciences Po. A conversa abordou a autonomia da Europa em questões de segurança e defesa coletiva.
A primeira-ministra Mette Frederiksen utilizou uma referência cultural para descrever a necessidade de agilidade na resposta europeia. Ela citou um trecho de música eletrônica: “Trabalhe mais duro, faça melhor, faça mais rápido”.
Frederiksen manifestou preocupação com a estabilidade geopolítica global e o fim de modelos diplomáticos tradicionais: “A ordem mundial, tal como a conhecemos, está sob pressão, mudando rapidamente, e talvez tenha acabado”, disse.
Metas de defesa na União Europeia
A discussão na faculdade de ciência política também tratou da capacidade militar da Europa sem a dependência exclusiva de alianças externas. Frederiksen comentou declarações do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, sobre o tema.
Para a líder dinamarquesa, o fortalecimento bélico é a prioridade atual para os países do continente. Ela defendeu que o investimento em defesa deve ser priorizado para garantir a autonomia estratégica das nações europeias.
A proposta apresentada por Frederiksen sugere elevar os gastos militares para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A primeira-ministra avalia que o cronograma estabelecido até 2035 para atingir essa meta é insuficiente.
“Lamento dizer que seria tarde demais”, declarou Frederiksen ao analisar o prazo para o aumento do orçamento militar na Europa.
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