O que é armadura de viga e por que ela não é a mesma coisa que pilar?
Veja o erro que pode comprometer sua estrutura e passar despercebido
Em muita obra, basta bater o olho na ferragem para alguém dizer que “armação de viga e de pilar é tudo igual”. Porém, ao entender o comportamento estrutural, fica claro que cada armadura tem função específica, reage a esforços diferentes e precisa ser posicionada com critério para garantir segurança, durabilidade e bom desempenho do concreto armado.
Diferenças entre armadura de viga e armadura de pilar
A viga vence vãos e recebe cargas de lajes, paredes e usuários, sofrendo principalmente flexão. Já o pilar é um elemento vertical que leva as cargas até a fundação, trabalhando majoritariamente à compressão, quase sempre combinada com algum grau de flexão.
O concreto resiste muito bem à compressão, mas pouco à tração, em torno de 10% da resistência à compressão. Por isso, o aço deve ser colocado onde surgem as trações em cada elemento, e não apenas distribuído de forma aleatória na seção.
Comportamento das vigas e posicionamento da armadura
Em uma viga biapoiada, a carga faz o meio do vão “descer”, criando compressão na parte superior e tração na parte inferior. Entre essas zonas, surge a linha neutra, onde a solicitação longitudinal é praticamente nula.
Assim, a armadura principal é concentrada nas regiões tracionadas: embaixo, no meio do vão, e, muitas vezes, em cima, junto aos apoios, para momentos negativos. Uma barra grossa colocada na linha neutra quase não trabalha e, ao reaproveitar ferragens, costuma ser melhor reposicioná‑la nas faixas de maior momento fletor.
Assista ao vídeo do canal Engenharia Ativa com detalhes da armadura de viga:
Trabalho dos pilares e função dos estribos
No pilar, prevalece a compressão vertical, mas raramente sem flexão associada. A linha neutra pode se deslocar, fazendo alternar regiões tracionadas e comprimidas, enquanto as barras longitudinais tendem a se afastar em elementos esbeltos.
Nesse contexto, os estribos atuam como “cintos” que confinam o concreto e mantêm as barras principais unidas, ajudando também no cisalhamento. Em pilares com esforços em direções distintas, pode ser necessária armadura em faces opostas para acompanhar a variação de momentos ao longo da altura.
Cuidados de montagem, concretagem e barras costela
Montar a armadura sem pensar na concretagem pode gerar regiões mal adensadas, com segregação e bolhas de ar. Muitas barras encostadas no fundo da forma dificultam a passagem do concreto e da agulha do vibrador, reduzindo resistência e durabilidade.
Cobrimento e camadas
Manter cobrimento em torno de 2,5 cm e distribuir as barras em camadas protege o aço e garante desempenho estrutural.
Uso correto de arames
Arames e enforca-gatos devem servir apenas para fixação temporária, sem qualquer função estrutural.
Ganchos adequados
Garantir ganchos corretos nos estribos, conforme projeto e bitola, assegura ancoragem e resistência.
Espaço para adensamento
Evitar “entupir” o fundo da forma libera espaço para o adensamento do concreto e reduz falhas internas.
Função das barras costela e uso consciente da ferragem
Em vigas altas, barras intermediárias de menor diâmetro, chamadas barras costela, ajudam a controlar fissuras e distribuir tensões internas, especialmente quando a altura da viga supera cerca de 60 cm. Geralmente são barras de 6,3 mm ou 8 mm, em número de três ou mais.
Elas se diferenciam de uma barra grossa isolada deixada na linha neutra “porque sobrou”, que quase não contribui para o desempenho. Entender essas funções evita tratar toda ferragem como igual e permite reaproveitar aço apenas quando sua posição e função forem compatíveis com o projeto estrutural.
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