Veneno ancestral de 60.000 anos pode explica métodos dos caçadores

28.01.2026

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Veneno ancestral de 60.000 anos pode explica métodos dos caçadores

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4 minutos de leitura 27.01.2026 20:50 comentários
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Veneno ancestral de 60.000 anos pode explica métodos dos caçadores

Descobertas em sítios da África Austral revelam que humanos da Idade da Pedra combinavam tecnologia de armas com plantas venenosas

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Veneno ancestral de 60.000 anos pode explica métodos dos caçadores
Veneno ancestral de 60.000 anos pode explica métodos dos caçadores - Créditos: depositphotos.com / rdonar

Descobertas em sítios da África Austral revelam que humanos da Idade da Pedra combinavam tecnologia de armas com plantas venenosas, indicando planejamento, experimentação e transmissão de saberes em estratégias de caça há cerca de 60 mil anos.

O que é o veneno de flecha mais antigo do mundo

A expressão “veneno de flecha mais antigo do mundo” refere-se a resíduos identificados em pontas de flecha de um abrigo rochoso em KwaZulu-Natal, na África do Sul.

Esses artefatos de cerca de 60 mil anos preservam compostos ligados à planta gifbol, ou “cebola venenosa”, usada tradicionalmente por caçadores locais.

A gifbol é uma planta bulbosa com alcaloides potentes, capazes de afetar sistema nervoso e coração de animais.

Ao aplicar extratos do bulbo nas pontas de flecha, caçadores ampliavam o poder letal das armas, abatendo presas a maior distância e com menor esforço físico direto.

Marlaize Lombard / SWNS
Veneno ancestral de 60.000 anos pode explica métodos dos caçadores – Marlize Lombard / SWNS

Como os pesquisadores identificaram esse veneno antigo

A identificação do veneno resultou de um trabalho interdisciplinar que combinou arqueologia, química e estudo de resíduos orgânicos.

Pesquisadores analisaram superfícies de pontas de quartzo e outras pedras em busca de vestígios microscópicos preservados ao longo de milênios.

Foram usadas técnicas modernas de cromatografia e espectrometria de massa, que detectaram moléculas como buphanidrine e epibuphanisine, associadas à gifbol.

A comparação com flechas envenenadas históricas de museus revelou forte continuidade no uso da mesma planta venenosa.

  • Coleta controlada: remoção cuidadosa de resíduos das pontas arqueológicas.
  • Análises químicas: identificação de toxinas vegetais estáveis ao tempo.
  • Comparações históricas: confronto com flechas envenenadas de poucos séculos atrás.
  • Estudos etnográficos: registro de usos atuais da gifbol em práticas de caça.

O que o uso de veneno revela sobre os primeiros caçadores

O uso de veneno mostra que esses caçadores não dependiam apenas de força ou perseguições prolongadas.

Preparar toxinas exigia escolher a planta correta, processar o bulbo, misturar ingredientes e aplicar o extrato sem contaminação, o que implica planejamento e divisão de tarefas.

A gifbol não tem coloração chamativa, o que indica observação cuidadosa e aprendizagem social para reconhecer seus riscos.

Essa prática revela uma forma precoce de “tecnologia química”, baseada em testes, erros e transmissão sistemática de conhecimento.

Quais etapas compunham o sistema de caça com veneno

O sistema de caça com veneno articulava conhecimentos de botânica, fabricação de armas e comportamento animal.

Cada fase da prática exigia coordenação entre membros do grupo e memória coletiva acumulada ao longo de gerações.

  1. Identificação de plantas tóxicas seguras para manuseio controlado.
  2. Desenvolvimento de métodos de extração e preparo do veneno.
  3. Aplicação em flechas e dardos para ampliar o alcance letal.
  4. Transmissão do conhecimento, mantendo o uso da mesma espécie venenosa.

Por que esse veneno é importante para entender a evolução humana

O veneno de flecha mais antigo do mundo indica raciocínio avançado e planejamento complexo em Homo sapiens muito antes do que se supunha.

A combinação de arco, flecha e toxina integra um sistema de caça estruturado, com antecipação de efeitos e estratégias de emboscada.

A continuidade no uso da gifbol por dezenas de milhares de anos sugere tradições culturais duradouras e manejo sofisticado de recursos naturais.

Esses dados reforçam a imagem de comunidades que observavam, testavam e refinavam técnicas, moldando a relação entre humanos e ambiente desde os primórdios.

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