Jornal ‘Charlie Hebdo’ satiriza violência do ICE nos EUA
Capa associa atuação da agência à simbologia da bandeira dos Estados Unidos após mortes em Minneapolis
O Charlie Hebdo, jornal francês de sátiras políticas e culturais, publicou em sua capa uma charge que ironiza a conduta do serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE). A ilustração faz alusão direta à morte de Alex Pretti, ocorrida em 24 de outubro em Minneapolis.
Esta foi a segunda ocorrência com óbito envolvendo órgãos federais na cidade em menos de 30 dias. No dia 7 do mesmo mês, a manifestante Renee Nicole Good também morreu durante uma abordagem da agência.
Simbologia e repercussão política
Na ilustração, um oficial armado arrasta uma pessoa baleada, cujo rastro de sangue compõe as listras da bandeira norte-americana. Corpos empilhados na imagem formam as estrelas que representam os estados do país.
O desenho retrata Gregory Bovino, então comandante da Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP) em Minneapolis, e uma figura semelhante a Pretti. Bovino é conhecido pelo suporte ao uso da força em deportações.
O oficial, que utilizava vestimentas comparadas a trajes nazistas, perdeu o comando local. Informações da revista The Atlantic indicam que ele retornará ao cargo anterior na Califórnia antes de se aposentar.
O enfermeiro Alex Pretti portava uma arma registrada de forma legal no momento da abordagem. Registros em vídeo indicam que ele não tentou utilizar o armamento quando os agentes federais o derrubaram.
Trump assopra, depois morde
As imagens analisadas mostram que o enfermeiro já estava sem a posse da pistola quando foi atingido por dez disparos. O governo federal manifestou visões distintas sobre o ocorrido por meio de seus integrantes.
Stephen Miller, assessor da Casa Branca, classificou o enfermeiro como “assassino e terrorista doméstico”. O presidente Donald Trump, contudo, rejeitou essa definição específica durante conversas com a imprensa.
Ao ser questionado sobre as declarações de Miller, Trump ponderou: “Não. Mas, dito isso, não dá pra ter armas, não dá pra chegar armado – não se pode fazer isso. Mas é um incidente triste”.
O presidente declarou que Pretti não deveria portar armamento em atos contra a presença de forças federais na cidade. A conduta de órgãos como o ICE e o CBP permanece sob observação externa após esses episódios.
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