“O que está acontecendo é horrível”, diz Natalie Portman sobre os EUA
Artistas de Hollywood protestam contra o governo Trump e as ações da agência de imigração dos Estados Unidos
Grandes nomes da indústria cinematográfica americana aproveitaram o Festival de Sundance (e as redes sociais) para criticar a agência federal de imigração (ICE) dos EUA e, com ela, o governo Trump, em resposta às operações em Minnesota que resultarem na morte de dois cidadãos americanos.
No evento, atores e atrizes ostentaram acessórios com a inscrição “ICE out” (“Fora ICE”) em protesto contra as táticas de controle imigratório. Vários artistas aproveitaram as entrevistas para opinar sobre a política sob a gestão do republicano.
“Um exército ilegal está sendo montado”
O ator Edward Norton comparou os métodos da agência federal a polícias de regimes autoritários históricos. Durante a apresentação do filme The invite, Norton questionou o próprio sentido da produção cultural:
“Hoje em dia é assim: ‘O que vamos fazer em relação a uma Gestapo atirando em massa contra cidadãos americanos?’ Estamos sentados aqui falando de filmes enquanto um exército ilegal está sendo montado contra cidadãos dos EUA”.
A atriz Natalie Portman também se posicionou contra as diretrizes de imigração e comentou a atuação da governadora Kristi Noem.
Portman mencionou o apoio de civis a imigrantes como um exemplo positivo diante das ações da ICE: “O que está acontecendo neste país agora é absolutamente horrível. O que o governo federal, o governo Trump, Kristi Noem, o ICE, o que eles estão fazendo é realmente o pior do pior da humanidade. E, ao mesmo tempo, temos o melhor da humanidade na forma como as pessoas estão aparecendo umas pelas outras”.
A atriz e diretora Olivia Wilde e a atriz Zoey Deutch expressaram sentimentos de indignação e dualidade. Wilde classificou o cenário nacional como revoltante, enquanto Deutch citou o contraste entre o orgulho comunitário e a vergonha das ações governamentais.
Manifestações sobre direitos e democracia
A cantora Billie Eilish relacionou a violência da agência com o cerceamento de direitos civis e negligência ambiental. Sua manifestação ocorreu dias antes de Alex Pretti ser morto pela ICE em Minneapolis no dia 24:
“É muito estranho ser celebrada por trabalhar em prol da justiça ambiental em um momento em que isso parece menos alcançável do que nunca, dado o estado do nosso país e do mundo agora. Estamos vendo nossos vizinhos sendo sequestrados, manifestantes pacíficos sendo agredidos e mortos, nossos direitos civis sendo retirados, recursos para combater a crise climática sendo cortados em favor dos combustíveis fósseis e da agropecuária animal que está destruindo o nosso planeta, e o acesso das pessoas à alimentação e à saúde se tornando um privilégio para os ricos, em vez de um novo direito humano básico para todos os americanos. Está muito claro que proteger o nosso planeta e as nossas comunidades não é uma prioridade para esta administração. E é muito difícil celebrar isso quando já não nos sentimos seguros nem em nossas próprias casas nem nas ruas”.
A atriz Glenn Close publicou um depoimento em vídeo apontando o desmonte de instituições que estabilizam a sociedade americana. Close listou a corrupção e a morte de civis como evidências de uma crise institucional no atual regime:
“Tenho assistido à nossa democracia sendo sistematicamente desmantelada e destruída, juntamente com as instituições que, num passado recente, embora nunca perfeitas, estabilizaram nossa sociedade e apoiaram o povo americano. Estou indignada e enojada com o que está acontecendo sob o regime de Trump. A crueldade, a desumanidade e a arrogância, a corrupção voraz, a covardia, a hipocrisia repugnante, a manipulação flagrante dos fatos e, agora, o assassinato a sangue frio de cidadãos americanos”.
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