Kuva, a cidade perdida da Rota da Seda tem muralhas desenterradas
Localizada no vale de Fergana, no atual Uzbequistão, Kuva tem revelado seu papel central na Rota da Seda
Localizada no vale de Fergana, no atual Uzbequistão, Kuva tem revelado seu papel central na Rota da Seda, não apenas como ponto de passagem, mas como polo político, econômico e cultural que conectava o leste da Ásia ao mundo persa ao longo de vários séculos.
Importância de Kuva na rede da Rota da Seda
Sua posição próxima à fronteira atual com a China fazia de Kuva um dos primeiros centros urbanos relevantes após longas travessias desérticas.
Caravanas buscavam ali descanso, reabastecimento, negociação de mercadorias valiosas e troca de informações estratégicas.
O estudo de Kuva esclarece o funcionamento de cidades intermediárias pouco documentadas, em contraste com grandes centros como Samarcanda.
As ruínas revelam a articulação entre oficinas, residências e edifícios administrativos ao longo das vias de circulação.

O que as recentes escavações em Kuva têm revelado
Desde 2023, uma missão arqueológica conjunta de China e Uzbequistão mapeia cerca de 110 mil m² do antigo núcleo urbano.
Escavações identificaram segmentos de muralhas, fundações de palácios, portões, traçados de ruas, bairros residenciais e oficinas de artesãos.
A análise das técnicas construtivas das muralhas permite datar fases de domínio persa, macedônico, parto e sogdiano.
Fornos, resíduos de metalurgia e vestígios de artesanato mostram que Kuva produzia bens para consumo local e comércio de longa distância.
Relação de Kuva com o vale de Fergana e os “cavalos celestiais”
O vale de Fergana era famoso na China Han por seus “cavalos celestiais”, essenciais para campanhas militares contra povos nômades.
Cidades como Kuva participaram do abastecimento e da negociação desses animais em troca de seda e outros produtos de prestígio.
Essa conexão explicava as disputas pelo controle da região, onde circulavam cavalos, metais, tecidos e pedras preciosas.
Assim, Kuva se inseria em uma rede de interesses imperiais que ia muito além da Ásia Central.

Fases de prosperidade e declínio das cidades da Rota da Seda
O caso de Kuva ilustra o ciclo típico das cidades da Rota da Seda, dependentes da segurança das rotas e do fluxo de caravanas.
Estudos em sítios próximos, como Tugunbulak e Tashbulak, apontam dinâmica semelhante de crescimento e abandono.
Esse padrão pode ser sintetizado em etapas que ajudam a entender a trajetória de centros urbanos ligados ao comércio e à produção especializada:
- Prosperidade: aumento do fluxo de caravanas e da demanda por mercadorias.
- Estabilidade relativa: acordos políticos garantiam segurança mínima nas rotas.
- Crise: guerras, mudanças climáticas ou novos caminhos desviavam o trânsito.
- Abandono: queda da arrecadação e esvaziamento gradual da população urbana.
Perspectivas futuras para a pesquisa arqueológica em Kuva
As próximas campanhas devem aprofundar o estudo de áreas palacianas e setores pouco explorados.
A meta é refinar o traçado urbano, distinguindo zonas administrativas, residenciais e produtivas, e datando melhor muralhas e edifícios públicos.
A comparação dos dados de Kuva com outros sítios da Rota da Seda deve criar um panorama regional mais amplo.
A divulgação dos resultados busca fortalecer o interesse pelo patrimônio arqueológico do vale de Fergana e pela história das conexões euroasiáticas.
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