Arqueólogos encontram esqueleto de mamute em perfeito estado na Sibéria
O achado de um esqueleto de mamute-lanoso em um lago no norte da Sibéria reacendeu o interesse científico por esses gigantes pré-históricos
O achado de um esqueleto de mamute-lanoso em um lago no norte da Sibéria reacendeu o interesse científico por esses gigantes pré-históricos e pelo clima da Era do Gelo, graças à preservação incomum de ossos e tendões que pode revelar detalhes sobre a vida, adaptações e extinção dessa espécie de megafauna.
O que é o mamute-lanoso e por que ele intriga os cientistas
O mamute-lanoso (Mammuthus primigenius) é uma das espécies mais emblemáticas da megafauna do Pleistoceno, com indivíduos que podiam atingir até 5,5 metros de altura e 12 toneladas.
Sua grossa pelagem, gordura subcutânea espessa e presas curvas adaptadas para cavar neve revelam um animal altamente especializado para ambientes extremamente frios.
O estudo de seus fósseis, incluindo ossos, dentes e tecidos moles, permite reconstruir antigos ecossistemas de tundra e estepe fria.
Pesquisas de DNA de carcaças preservadas no permafrost ajudam a entender a evolução de elefantes e mamutes, além de doenças e padrões de migração desses grandes herbívoros.

Como foi feita a descoberta do mamute-lanoso na Sibéria
Os fragmentos do esqueleto foram encontrados por pastores de renas em uma área rasa do lago Pechevalavato, na região da Iamália-Nenets.
Ossos como porções do crânio, mandíbula inferior, costelas e parte de uma pata com tecidos aderidos estavam parcialmente enterrados na lama, sugerindo rápida cobertura por sedimentos e gelo.
Pesquisadores acreditam que grande parte do esqueleto ainda esteja na posição original em que o animal morreu, preservada no fundo do lago.
Para confirmar essa hipótese, equipes utilizam mapeamento preciso e técnicas de escavação subaquática, registrando cada osso para manter o contexto anatômico e geológico.
Por que esqueletos quase completos de mamute-lanoso são tão valiosos
Achados tão bem preservados funcionam como “arquivos naturais”, permitindo análises detalhadas da anatomia, postura e possíveis lesões do animal.
A presença de tecidos moles, como tendões e eventualmente pele e pelos, oferece pistas sobre fisiologia, metabolismo e adaptações ao frio intenso.
Esses fósseis também ajudam a reconstruir o ambiente em que o mamute viveu, por meio dos sedimentos e microvestígios associados ao esqueleto. A partir desse tipo de descoberta, os cientistas podem estudar diversos aspectos:
- Contexto anatômico: compreensão da estrutura corporal e articulações.
- Material orgânico: análise de tecidos preservados e possíveis biomoléculas.
- Datação precisa: uso de carbono-14 em restos bem conservados.
- Indicadores climáticos: pólen, minerais e micro-organismos nos sedimentos.
The concept of de-extincting the woolly mammoth (Mammuthus primigenius) has gained traction in recent years, driven by advances in genetic engineering and the discovery of well-preserved mammoth remains in Siberia. wooly mammoth pic.twitter.com/zXGQtHzc4u
— Ai Doge Tool (@Aidogetool) April 8, 2025
O que a extinção do mamute-lanoso revela sobre mudanças ambientais
O mamute-lanoso desapareceu da maior parte de seu território há cerca de 10 mil anos, embora pequenas populações tenham persistido em ilhas remotas.
Pesquisas apontam para uma combinação de mudanças climáticas, que alteraram a vegetação da estepe gelada, e pressão de caça por grupos humanos em expansão.
Ao relacionar dados de fósseis, DNA e registros ambientais, cientistas investigam como a perda de habitat, o aquecimento pós-Era do Gelo e a ação humana interagiram nesse processo.
Essas análises também ajudam a comparar extinções passadas com a atual crise de biodiversidade.
Como o degelo do permafrost conecta mamutes ao aquecimento global atual
A mesma Sibéria que preservou tantos fósseis de mamute-lanoso enfrenta hoje ondas de calor e degelo acelerado do permafrost.
Esse processo expõe novas carcaças de megafauna, mas também libera dióxido de carbono e metano, intensificando o efeito estufa e o aquecimento global.
Assim, cada novo esqueleto retirado da lama, neve ou gelo conecta o passado da Era do Gelo ao presente.
O estudo detalhado desses fósseis fornece referências sobre como grandes mudanças ambientais impactam ecossistemas frios, ajudando a entender desafios climáticos enfrentados no mundo atual.
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