Floresta “congelada no tempo” há 290 milhões de anos no Paraná
A chamada floresta de 290 milhões de anos foi identificada em Ortigueira, no Paraná, associada a sedimentos da transição entre o Carbonífero e o Permiano
Em uma região do interior do Paraná, a pesquisadora Thammy Mottin identificou uma antiga floresta fossilizada preservada em posição de vida, com árvores praticamente como estavam há centenas de milhões de anos, dominadas por licófitas, um grupo vegetal muito antigo que revela detalhes sobre o ambiente terrestre em eras geológicas remotas.
Floresta de 290 milhões de anos no Paraná
A chamada floresta de 290 milhões de anos foi identificada em Ortigueira, no Paraná, associada a sedimentos da transição entre o Carbonífero e o Permiano.
As árvores cresciam em planícies aluviais, próximas a um antigo rio, em área de alta latitude no supercontinente Gondwana.
As evidências indicam soterramento rápido por sedimentos carregados por uma grande inundação.
Esse evento geológico preservou troncos, raízes e parte da arquitetura da vegetação, impedindo a decomposição completa e “congelando” a floresta no tempo.

Por que essa floresta fossilizada é cientificamente tão relevante
O registro paranaense se destaca pelo grande número de licófitas preservadas em posição de vida, com pouca deformação estrutural.
Isso oferece um cenário tridimensional raro para reconstruir como essas plantas viviam, cresciam e ocupavam o espaço.
Comparada a florestas fossilizadas da Patagônia, do Rio Grande do Sul, da América do Norte e da Europa, a flora de Ortigueira mostra licófitas com características próprias do Gondwana.
Essa singularidade permite estudos comparativos entre floras do hemisfério norte e sul no final do Paleozoico.
Como ocorreu a preservação excepcional da floresta
A antiga floresta ocupava uma planície próxima a um curso d’água e foi surpreendida por um evento de inundação carregado de sedimentos finos.
O soterramento rápido isolou troncos e raízes do oxigênio, criando condições favoráveis à fossilização em três dimensões.
No registro atual, os troncos aparecem em posição vertical, perpendiculares às camadas de rocha, simulando a floresta “em pé”.
Esse tipo de preservação ajuda a entender a estrutura original do ambiente, a densidade de árvores e a dinâmica do antigo ecossistema continental.
Impactos científicos e ambientais dessa descoberta
A floresta fossilizada fornece dados raros sobre morfologia de licófitas, organização espacial de florestas paleozoicas e antigos episódios de glaciação.
Também contribui para compreender processos sedimentares que preservaram grandes volumes de matéria orgânica.
Para que esse patrimônio continue acessível, são necessárias ações coordenadas de proteção. Interferências humanas podem destruir informações únicas, o que torna essencial a articulação entre órgãos ambientais, pesquisadores e autoridades locais.
- Controle de coleta e tráfego de fósseis na área;
- Planejamento de obras e uso do solo no entorno;
- Parcerias entre universidades, museus e prefeituras;
- Financiamento contínuo de pesquisa por agências de fomento.
Questões futuras que a floresta de Ortigueira pode responder
Essa floresta fossilizada permite investigar a dinâmica de crescimento das licófitas, sua relação com outros organismos e seu papel na ciclagem de carbono em um planeta sujeito a fortes oscilações climáticas.
Com o avanço das pesquisas, o sítio tende a se consolidar como referência para ambientes continentais do final do Paleozoico no hemisfério sul, ajudando a reconstruir capítulos pouco documentados da história da Terra e a origem de paisagens vegetais hoje inexistentes.
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