Justiça da Venezuela condena estudante por queixas sobre serviços públicos
Juan Francisco Alvarado recebeu pena de 15 anos após relatar falhas em infraestrutura de esgoto no estado de Cojedes
O Judiciário da Venezuela aplicou uma pena de 15 anos de prisão ao estudante de jornalismo Juan Francisco Alvarado. A sentença, emitida em novembro de 2025, é motivada por denúncias feitas pelo jovem sobre a precariedade de infraestrutura em sua comunidade.
Alvarado vivia em Apartadero, onde o sistema de esgoto apresentava vazamentos constantes. O problema impedia o uso de banheiros na própria residência, obrigando o universitário a se deslocar para a casa de parentes.
Ele então acionou a VenApp, plataforma do governo, para expor a situação.
Os registros de Alvarado apontavam o colapso de redes de dejetos e defeitos em transformadores elétricos. Familiares indicam que as reclamações eram acompanhadas pelo conselho comunal da região. Segundo relatos, o monitoramento oficial ocorria para verificar se os reparos de verbas públicas haviam sido executados.
Um parente explicou a situação ao Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP). Na ocasião, declarou: “Pela Ven App ligavam para perguntar se já tinham consertado, e Juan dizia a verdade: que não. Foi isso que, ao que parece, desencadeou tudo o que estamos vivendo hoje”.
Irregularidades no processo e estado de saúde frágil
A detenção do universitário ocorreu em março de 2025 em um posto de controle no estado de Portuguesa. Policiais verificaram os documentos de Alvarado durante uma viagem de ônibus e identificaram um mandado de prisão. A acusação apresentada pelo Ministério Público indicava o crime de incitação ao ódio.
O procedimento jurídico apresentou aspectos contestados por advogados e organizações de direitos humanos. A audiência de julgamento aconteceu por meio de chamadas telefônicas, sob justificativa de instabilidade na conexão de internet. Além disso, a acusação não apresentou perícias que ligassem contas digitais ao réu.
O principal acusador, vinculado ao partido governista, deixou de comparecer às sessões no tribunal. Atualmente, Alvarado está em uma unidade da Guarda Nacional em Guanare. O jovem sofre com uma condição de saúde crônica que exige monitoramento médico constante, serviço limitado no cárcere.
Análises oficiais concluíram que postagens sobre protestos seriam convocações para “insurreição civil”. O SNTP relaciona o episódio a um sistema de vigilância digital em redes sociais e dispositivos eletrônicos. Essa prática resultou em múltiplas detenções sem o cumprimento de garantias jurídicas básicas.
Maduro cai, chavismo fica
Até o mês de janeiro de 2026, seis profissionais ou estudantes de comunicação permaneciam detidos em unidades prisionais venezuelanas. O sindicato da categoria registrou que, apesar de algumas liberações em datas anteriores, o grupo persiste encarcerado. A entidade aguarda a concessão de liberdade para os trabalhadores remanescentes.
Em comunicado oficial, o SNTP manifestou a expectativa pela soltura dos detidos. A organização afirmou: “Continuamos esperando que nossos companheiros jornalistas e trabalhadores da imprensa sejam libertados. Eles e todos os detidos. Ainda faltam 6”. O grupo de presos inclui Alvarado e outros comunicadores sob custódia estatal.
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Comentários (1)
Marian
26.01.2026 20:5515 anos de cadeia, por insurreição civil, porque não podia reclamar a falta de esgoto.