Quantas pessoas a energia nuclear matou? A resposta vai te surpreender
Combustíveis fósseis lideram o ranking de mortes, mas o medo todo vai para reatores
A energia nuclear costuma ser lembrada por explosões em usinas, nuvens de radiação e histórias de filmes. Mas, quando os números entram em cena, o cenário fica bem diferente do imaginário popular. Entender quantas pessoas essa energia matou e como isso se compara a outras fontes ajuda a colocar essa tecnologia em perspectiva.
A energia nuclear realmente matou tanta gente assim?
Desde 1951, cerca de 30 acidentes nucleares foram registrados no mundo, mas dois viraram sinônimo de desastre: Chernobyl e Fukushima. Apesar do impacto simbólico enorme, o número de mortes diretas ligadas a reatores é bem menor do que muitas pessoas imaginam.
Em Chernobyl, em 1986, 31 pessoas morreram diretamente por causa do acidente, em um contexto de tecnologia ultrapassada e resposta lenta do governo. O grande medo não está na explosão em si, mas na radiação liberada e em quantas mortes por câncer e outras doenças podem aparecer ao longo das décadas seguintes.
Chernobyl e Fukushima causaram quantas mortes por radiação?
O canal Em Poucas Palavras – Kurzgesagt, com 799 mil inscritos, explora esses dados de forma aprofundada e desmistifica muitos conceitos sobre energia e ciência. Em Chernobyl, as estimativas variam bastante: um estudo do Partido Verde Europeu projetou até 60 mil mortes prematuras até 2065, enquanto a Organização Mundial da Saúde trabalha com algo em torno de quatro mil óbitos em longo prazo.
Fukushima, em 2011, tinha tecnologia mais avançada e protocolos de emergência mais sólidos, o que mudou completamente o resultado. Até agora, 573 mortes foram ligadas ao desastre, quase todas por estresse e problemas associados à evacuação em massa, principalmente entre pessoas idosas, e não pela radiação liberada.
| Fonte de Energia | Mortes por TWh | Principal Causa de Mortalidade |
|---|---|---|
| Carvão | ~25 mortes | Poluição do ar e partículas finas (PM 2.5) |
| Petróleo | ~18 mortes | Poluição do ar e doenças respiratórias |
| Gás Natural | ~3 mortes | Emissões atmosféricas e acidentes |
| Hidrelétrica | Variável (grandes acidentes) | Rompimento de barragens (ex: Banqiao – 85 mil a 240 mil mortes) |
| Nuclear | ~1 morte a cada 14 anos | Acidentes raros e radiação de longo prazo |
| Renováveis (Solar/Eólica) | Quase zero | Acidentes durante instalação e manutenção |
Por que os combustíveis fósseis lideram o ranking de mortes?
Na comparação geral, a fonte de energia mais letal não é nuclear nem hidrelétrica, e sim o trio carvão, petróleo e gás natural. A queima desses combustíveis libera gases como ozônio, dióxido de enxofre, monóxido de carbono e dióxido de nitrogênio, que agravam doenças respiratórias e cardiovasculares.
Ainda mais crítica é a poluição por partículas finas, conhecidas como material particulado, com diâmetro de até 2,5 mícrons. Essas partículas penetram fundo nos pulmões e estão associadas a cerca de quatro milhões de mortes por ano no mundo, com estimativa de 100 milhões de mortes em 50 anos ligadas aos combustíveis fósseis.

O que acontece quando se mede mortes por energia gerada?
Para deixar o comparativo mais justo, estudos passaram a medir quantas pessoas morrem para cada 1 terawatt-hora gerado, o suficiente para abastecer por um ano cerca de 27 mil habitantes da União Europeia ou 12.600 pessoas nos Estados Unidos. A partir daí, a diferença entre as fontes fica mais nítida.
Nessa escala, o carvão está ligado a cerca de 25 mortes por TWh, o petróleo a 18 e o gás natural a 3. As renováveis quase não aparecem, e a energia nuclear, mesmo em cenários pessimistas, fica em torno de uma morte a cada 14 anos, com estimativas indicando que pode ter evitado cerca de dois milhões de mortes entre 1971 e 2009 ao substituir combustíveis fósseis.
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