Este país tem apenas 3 pessoas por km² e 80% do território está vazio
Ouro representa 70% das exportações, mas jovens qualificados fogem para Holanda em busca de futuro
Suriname fica lá em cima da América do Sul, encostado no Brasil, quase sempre esquecido. Mesmo cheio de recursos naturais, o país segue com poucos habitantes, baixa densidade populacional e uma história marcada por colonização intensa, crises políticas e desafios de infraestrutura que ajudam a explicar por que tanta terra continua vazia até hoje.
Por que o Suriname é tão vazio mesmo sendo tão grande?
O país tem cerca de 600 mil habitantes e uma densidade populacional em torno de 3,8 pessoas por quilômetro quadrado, uma das menores do mundo. Boa parte da população se concentra na capital, Paramaribo, e em algumas cidades do litoral norte, deixando enorme parte do território quase desocupada.
Esse cenário fica ainda mais curioso quando se percebe que, apesar de ser o menor país da América do Sul em área, o Suriname ainda é maior do que todos os países da América Central. Grande parte desse espaço está coberta por florestas densas, com pouca infraestrutura, poucos acessos e baixa capacidade de sustentar grandes centros urbanos.
O que torna a região de Sipaliwini tão especial e desabitada?
O canal EconoSimples, com 230 mil inscritos, mostra que um dos pontos mais intrigantes do mapa surinamês é Sipaliwini, um território gigante que ocupa aproximadamente 80% do país. Mesmo assim, ali vivem menos de 40 mil pessoas, segundo a última contagem, o que faz dessa área uma espécie de “região vazia” repleta de mata fechada e vida selvagem.
Sipaliwini é praticamente uma terra intocada, com florestas tropicais, rios e biodiversidade preservada, mas com poucas estradas, serviços e oportunidades de trabalho formais. Se o Brasil seguisse lógica parecida, apenas alguns estados do Sul ou do Norte seriam ocupados e o resto seria floresta contínua, algo que ilustra o quanto o interior continua isolado.
Como a colonização moldou o Suriname pouco povoado?
A resposta para o baixo povoamento passa pela história de colonização. O país foi domínio dos Países Baixos até 1975, com períodos sob influência britânica e americana. A estratégia holandesa foi enviar escravizados em navios pelo Atlântico para trabalhar na agricultura, principalmente nas plantações de cana-de-açúcar.
Essas pessoas vinham em condições precárias, com viagens longas, doenças e alta mortalidade. Africanos e chineses foram forçados a trabalhar lado a lado, o que acabou criando uma sociedade etnicamente muito diversa. Essa miscigenação segue até hoje, com múltiplas culturas e religiões convivendo em um país pequeno, mas sem que isso tenha gerado crescimento populacional intenso.

Por que a população cresce tão devagar mesmo com tantos recursos?
Depois da independência, o país viveu golpes de Estado, corrupção forte, governos impostos à força e desorganização econômica, o que quebrou a confiança interna. Houve queda na indústria, desemprego, fome e enfraquecimento da identidade nacional, fazendo muitos buscarem oportunidades em outros países, especialmente na Holanda.
Hoje, mesmo com avanços entre 1995 e 2024, a economia continua muito dependente da exportação de recursos, enquanto a infraestrutura é frágil. O interior é pouco acessível, faltam rodovias ligando o país aos vizinhos e o transporte terrestre é limitado. Outro elemento importante é a emigração: muitos jovens qualificados deixam o Suriname em busca de salários maiores e mais estabilidade em países desenvolvidos, limitando ainda mais o crescimento demográfico.
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