Byung-Chul Han, filósofo: “Somente estando aberto para aceitar à dor, de onde quer que ela venha, você pode estar aberto à felicidade”
Inspirado em tradições filosóficas como Nietzsche, Han defende que dor e felicidade crescem juntas.
Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano contemporâneo e um dos principais críticos da sociedade neoliberal, propõe uma visão profundamente contraintuitiva sobre a felicidade.
Em oposição à cultura da positividade, do desempenho e da produtividade emocional, Han afirma que a verdadeira felicidade não é contínua, nem permanente, mas fragmentária — e que o sofrimento é parte essencial da sua existência.
Na lógica do capitalismo contemporâneo, a felicidade foi transformada em obrigação social. O discurso do “seja feliz” deixou de ser uma busca existencial e passou a funcionar como instrumento de controle, produtividade e autoexploração.
A crítica de Byung-Chul Han à felicidade como obrigação social
Para Han, o imperativo moderno da felicidade não busca o bem-estar genuíno do indivíduo, mas sim a maximização de desempenho.
A positividade constante se converte em norma social, e qualquer forma de sofrimento passa a ser vista como fracasso pessoal.
A felicidade como produto na sociedade neoliberal
Na sociedade do consumo, a felicidade é coisificada: torna-se mercadoria, métrica, indicador de sucesso e estratégia de marketing emocional.
Livros de autoajuda, discursos motivacionais e narrativas de sucesso reforçam a ideia de que estar feliz é uma responsabilidade individual.
Essa lógica produz sujeitos que:
- reprimem o sofrimento,
- negam emoções negativas,
- transformam a dor em culpa pessoal,
- vivem sob permanente autoexigência emocional.
“Bu özgürlük kavramıyla daha fazla ilerleme katedemeyeceğimize inanıyorum. Bugün özgür olduğumuzu varsayıyoruz, oysa gerçekte kendimizi tutkuyla sömürüyoruz.”
— erolgoka (@erolgoka) May 25, 2024
(Byung-Chul Han) pic.twitter.com/GKa5vK08xM
A felicidade fragmentária segundo Byung-Chul Han
Han rompe com a ideia de felicidade como estado contínuo. Para ele, ser feliz de forma autêntica é fragmentária, intermitente e não acumulável.
Ela surge em momentos específicos, intensos e efêmeros, que não podem ser controlados, planejados ou industrializados.
Dor e felicidade como dimensões inseparáveis
Inspirado em tradições filosóficas como Nietzsche, Han defende que dor e felicidade crescem juntas. A dor não é o oposto, mas sua condição de possibilidade.
Sem dor:
- não há profundidade emocional;
- não há densidade existencial;
- não há experiência autêntica;
A tentativa de eliminar o sofrimento gera apenas um conforto superficial, emocionalmente vazio.
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Por que evitar a dor empobrece a experiência humana
A cultura da positividade absoluta produz sujeitos anestesiados emocionalmente. Ao fugir da dor, o indivíduo também perde:
- a capacidade de sentir intensamente,
- a abertura ao outro,
- a sensibilidade existencial,
- a vivência do sentido.
O risco do “bem-estar artificial”
O que se apresenta como felicidade contínua é, na verdade, um bem-estar artificial, baseado em conforto, consumo e estímulos constantes.
Esse modelo não gera plenitude, mas dependência emocional e fragilidade psíquica.
A proposta filosófica de Byung-Chul Han
Byung-Chul Han propõe uma reconciliação com a dor como parte constitutiva da existência humana. Não como glorificação do sofrimento, mas como reconhecimento de sua função estruturante na vida emocional.
Na filosofia de Han:
❌ O que a felicidade NÃO é
- Não é objetivo
- Não é performance
- Não é status
- Não é métrica
- Não é produto
✅ O que a felicidade É
- Ela é experiência
- Ela é acontecimento
- Ela é fragmento
- Ela é sentido
A felicidade que não pode ser mercadoria
A filosofia de Byung-Chul Han redefine o conceito de felicidade ao afastá-lo da lógica neoliberal e do discurso motivacional. A felicidade verdadeira não é contínua, não é estável, não é vendável e não pode ser produzida em escala.
Ela existe nos fragmentos da experiência humana, preservada justamente pela dor, pela vulnerabilidade e pela abertura emocional.
Aceitar a dor não nos afasta da felicidade — nos aproxima da sua forma mais autêntica.
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