Byung-Chul Han, filósofo: "Somente estando aberto para aceitar à dor, de onde quer que ela venha, você pode estar aberto à felicidade"

26.01.2026

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Byung-Chul Han, filósofo: “Somente estando aberto para aceitar à dor, de onde quer que ela venha, você pode estar aberto à felicidade”

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Byung-Chul Han, filósofo: “Somente estando aberto para aceitar à dor, de onde quer que ela venha, você pode estar aberto à felicidade”

Inspirado em tradições filosóficas como Nietzsche, Han defende que dor e felicidade crescem juntas.

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Byung-Chul Han, filósofo: “Somente estando aberto para aceitar à dor, de onde quer que ela venha, você pode estar aberto à felicidade”
Byung-Chul Han, filósofo Somente estando aberto para aceitar à dor, de onde quer que ela venha, você pode estar aberto à felicidade. Créditos: depositphotos.com / Deklofenak

Byung-Chul Han, filósofo sul-coreano contemporâneo e um dos principais críticos da sociedade neoliberal, propõe uma visão profundamente contraintuitiva sobre a felicidade.

Em oposição à cultura da positividade, do desempenho e da produtividade emocional, Han afirma que a verdadeira felicidade não é contínua, nem permanente, mas fragmentária — e que o sofrimento é parte essencial da sua existência.

Na lógica do capitalismo contemporâneo, a felicidade foi transformada em obrigação social. O discurso do “seja feliz” deixou de ser uma busca existencial e passou a funcionar como instrumento de controle, produtividade e autoexploração.

A crítica de Byung-Chul Han à felicidade como obrigação social

Para Han, o imperativo moderno da felicidade não busca o bem-estar genuíno do indivíduo, mas sim a maximização de desempenho.

A positividade constante se converte em norma social, e qualquer forma de sofrimento passa a ser vista como fracasso pessoal.

A felicidade como produto na sociedade neoliberal

Na sociedade do consumo, a felicidade é coisificada: torna-se mercadoria, métrica, indicador de sucesso e estratégia de marketing emocional.

Livros de autoajuda, discursos motivacionais e narrativas de sucesso reforçam a ideia de que estar feliz é uma responsabilidade individual.

Essa lógica produz sujeitos que:

  • reprimem o sofrimento,
  • negam emoções negativas,
  • transformam a dor em culpa pessoal,
  • vivem sob permanente autoexigência emocional.

A felicidade fragmentária segundo Byung-Chul Han

Han rompe com a ideia de felicidade como estado contínuo. Para ele, ser feliz de forma autêntica é fragmentária, intermitente e não acumulável.

Ela surge em momentos específicos, intensos e efêmeros, que não podem ser controlados, planejados ou industrializados.

Dor e felicidade como dimensões inseparáveis

Inspirado em tradições filosóficas como Nietzsche, Han defende que dor e felicidade crescem juntas. A dor não é o oposto, mas sua condição de possibilidade.

Sem dor:

  • não há profundidade emocional;
  • não há densidade existencial;
  • não há experiência autêntica;

A tentativa de eliminar o sofrimento gera apenas um conforto superficial, emocionalmente vazio.

Leia também: Cientistas estão surpresos com floresta africana que cresce e se regenera sem que uma única árvore fosse plantada

Por que evitar a dor empobrece a experiência humana

A cultura da positividade absoluta produz sujeitos anestesiados emocionalmente. Ao fugir da dor, o indivíduo também perde:

  • a capacidade de sentir intensamente,
  • a abertura ao outro,
  • a sensibilidade existencial,
  • a vivência do sentido.

O risco do “bem-estar artificial”

O que se apresenta como felicidade contínua é, na verdade, um bem-estar artificial, baseado em conforto, consumo e estímulos constantes.

Esse modelo não gera plenitude, mas dependência emocional e fragilidade psíquica.

A proposta filosófica de Byung-Chul Han

Byung-Chul Han propõe uma reconciliação com a dor como parte constitutiva da existência humana. Não como glorificação do sofrimento, mas como reconhecimento de sua função estruturante na vida emocional.

Na filosofia de Han:

Filosofia Contemporânea
A felicidade na filosofia de Byung-Chul Han
Uma crítica ao desempenho, à positividade e à mercantilização da vida

❌ O que a felicidade NÃO é

  • Não é objetivo
  • Não é performance
  • Não é status
  • Não é métrica
  • Não é produto

✅ O que a felicidade É

  • Ela é experiência
  • Ela é acontecimento
  • Ela é fragmento
  • Ela é sentido

A felicidade que não pode ser mercadoria

A filosofia de Byung-Chul Han redefine o conceito de felicidade ao afastá-lo da lógica neoliberal e do discurso motivacional. A felicidade verdadeira não é contínua, não é estável, não é vendável e não pode ser produzida em escala.

Ela existe nos fragmentos da experiência humana, preservada justamente pela dor, pela vulnerabilidade e pela abertura emocional.

Aceitar a dor não nos afasta da felicidade — nos aproxima da sua forma mais autêntica.

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