Esse fungo da Amazônia pode devorar plástico duro
Entre as estratégias atuais contra a poluição plástica, o chamado fungo que come plástico tornou-se exemplo emblemático de biotecnologia
Entre as estratégias atuais contra a poluição plástica, o chamado fungo que come plástico tornou-se exemplo emblemático de biotecnologia ambiental, ao mostrar que microrganismos da natureza podem degradar materiais considerados altamente persistentes, embora seu uso ainda esteja majoritariamente em fase experimental.
O que a ciência já sabe sobre o fungo que come plástico
Esses fungos são espécies capazes de usar polímeros sintéticos, como poliuretano e PET, como fonte de carbono e energia.
Esses organismos foram encontrados em ambientes naturais, sobretudo em florestas tropicais úmidas, com grande diversidade microbiana.
O interesse científico se concentra nas enzimas que quebram as cadeias poliméricas em fragmentos menores, depois metabolizados pelo fungo.
Com a biologia molecular, pesquisadores identificam genes envolvidos nesse processo, buscando formas de torná-lo mais eficiente e aplicável em escala maior.

Como funciona a biodegradação do plástico por fungos
O fungo que degrada plástico não faz o material desaparecer rapidamente, mas promove uma biodegradação gradual.
Primeiro, ele adere à superfície, secreta enzimas, enfraquece a estrutura e gera fissuras e microfragmentos incorporados ao seu metabolismo.
Alguns fatores determinam a velocidade e a eficiência desse processo em condições reais de ambiente ou de biorreatores controlados:
- Tipo de plástico: certos polímeros são muito mais resistentes à ação enzimática.
- Condições ambientais: temperatura, umidade e oxigênio alteram a taxa de degradação.
- Concentração de fungos: grandes volumes exigem muitos microrganismos ou sistemas concentrados.
Quais são os limites e desafios para uso em larga escala
Transformar o fungo que consome plástico em solução prática exige controle, eficiência e segurança.
Por isso, testes se concentram em cenários simulados, como plantas-piloto de tratamento de resíduos e biorreatores fechados com monitoramento rigoroso.
Entre os principais desafios estão a dificuldade de escalar resultados de laboratório, o tempo ainda lento de degradação, custos operacionais elevados e exigências de biossegurança, especialmente no caso de fungos ou enzimas modificados geneticamente.

Que outros organismos também degradam plástico
O fungo não atua sozinho: diferentes microrganismos e animais apresentam capacidade de degradar polímeros.
Estudar essa diversidade amplia o repertório de enzimas e processos biológicos disponíveis para futuras tecnologias ambientais.
- Bactérias degradadoras de PET: focadas na produção industrial de enzimas específicas.
- Larvas que consomem plástico: importantes para entender a microbiota intestinal associada.
- Outros fungos ambientais: encontrados em solos contaminados e resíduos urbanos.
Qual pode ser o papel do fungo que come plástico no futuro
No futuro, o fungo que come plástico tende a ser usado principalmente como fonte de enzimas, integradas a sistemas híbridos que combinem etapas químicas, físicas e biológicas de tratamento de resíduos.
A aplicação direta do organismo em ambientes abertos deve continuar sendo vista com cautela.
Mesmo com esses avanços, o fungo é apenas peça complementar em uma estratégia mais ampla, que inclui redução do consumo, reciclagem, redesign de embalagens e políticas de economia circular, mantendo a prioridade em evitar a geração excessiva de plástico.
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