As misteriosas “serpentes do mar” gigantes do Paraná
Fósseis marinhos encontrados no Paraná vêm ampliando o entendimento sobre a história da Terra muito antes dos dinossauros.
Fósseis marinhos encontrados no Paraná vêm ampliando o entendimento sobre a história da Terra muito antes dos dinossauros.
Registros da Universidade Federal do Paraná mostram equinodermos, como estrelas-do-mar e serpentes do mar, preservados em rochas do período Devoniano, revelam antigos mares rasos que cobriam parte do atual território brasileiro e ajudam a reconstruir mudanças profundas na geografia do planeta.
Fósseis devonianos no Paraná revelam antigos mares rasos
A presença de fósseis marinhos em áreas hoje continentais indica que o Paraná esteve coberto por mares rasos, ricos em vida.
Estrelas-do-mar e serpentes do mar, ou ofiuroides, viviam no fundo oceânico, alimentando-se de restos orgânicos e pequenos invertebrados.
Quando soterrados por sedimentos, alguns desses organismos tiveram seus esqueletos preservados.
Esses fósseis permitem identificar uma fauna diversificada, incluindo espécies até então desconhecidas, o que reforça a importância global da Bacia do Paraná.

Quais equinodermos foram encontrados e por que são importantes
Os fósseis revelam novas famílias, gêneros e espécies de equinodermos, grupo que inclui ouriços-do-mar, bolachas-da-praia, crinóides e estrelas-do-mar.
A comparação com espécies atuais ajuda a reconstruir a evolução desses organismos ao longo de centenas de milhões de anos.
Como estrelas-do-mar e serpentes do mar têm esqueletos formados por milhares de pequenos ossículos, sua preservação completa é rara.
Quando bem conservados, permitem observar espinhos, placas e braços em detalhe, possibilitando a definição de novos grupos taxonômicos.
Como é feita a pesquisa paleontológica com equinodermos fósseis
O estudo paleontológico envolve etapas que vão do campo ao laboratório. Em regiões como Ponta Grossa e Jaguariaíva, pesquisadores selecionam afloramentos devonianos e coletam blocos de rocha que podem conter fósseis delicados e de pequeno porte.
Para organizar esse trabalho, os cientistas seguem um conjunto de etapas principais:
- Coleta em campo: retirada cuidadosa de blocos fossilíferos em afloramentos selecionados;
- Preparação das amostras: limpeza mecânica ou química para expor as estruturas preservadas;
- Análise morfológica: medições detalhadas e uso de microscopia, inclusive eletrônica;
- Comparação e descrição: confronto com coleções e literatura e criação de novas espécies ou famílias.
O que esses fósseis revelam sobre os mares antigos e a evolução
Os equinodermos devonianos do Paraná ajudam a compreender a diversidade dos mares em um período marcado por mudanças ambientais e extinções.
Eles mostram quais linhagens conseguiram atravessar grandes crises ao longo da história da Terra.
A comparação com milhares de espécies atuais permite reconstruir parentescos evolutivos.
Assim, é possível identificar grupos que persistiram até hoje e outros que desapareceram, enriquecendo modelos sobre a dinâmica da vida nos oceanos antigos.
Qual é o impacto científico e educacional dessas descobertas
As descobertas fortalecem a paleontologia brasileira e colocam o Paraná no mapa internacional dos estudos sobre o Devoniano.
O registro de novas famílias de equinodermos destaca a singularidade da fauna marinha que viveu na região.
Esses fósseis também servem como material didático em escolas e projetos de divulgação científica, estimulando o interesse pela ciência, valorizando o patrimônio geológico e mostrando que a paleontologia vai muito além dos dinossauros.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)