Arqueólogos localizam ruínas de civilização perdida na Amazônia
As pesquisas identificaram um vasto “vale de cidades” escondido sob a copa das árvores, sobretudo no atual Equador
A descoberta de cidades perdidas na Amazônia em 2024, reveladas por imagens de LIDAR, recolocou a floresta no centro dos debates sobre história, arqueologia, ocupação humana e sustentabilidade, ao mostrar grandes complexos urbanos soterrados pela vegetação e evidências de uma civilização pré-colombiana numerosa e organizada.
O que foi encontrado nas cidades perdidas na Amazônia
As pesquisas identificaram um vasto “vale de cidades” escondido sob a copa das árvores, sobretudo no atual Equador.
Ali, milhares de plataformas de terra, interligadas por estradas retas e cercadas por antigas áreas de cultivo, compunham assentamentos ocupados pelo povo Upano há cerca de 2.000 anos.
As plataformas, com poucos metros de altura, serviam de base para construções de madeira, hoje desaparecidas, mas reconhecíveis por buracos de poste e fogueiras.
Algumas estruturas maiores indicam espaços cerimoniais e locais de encontro, cercados por áreas de agricultura intensiva com canais de drenagem.

Como a tecnologia LIDAR revelou as cidades perdidas na Amazônia
O LIDAR foi decisivo porque permite “remover” digitalmente a vegetação densa e revelar o relevo abaixo.
Pulsos de laser emitidos de aeronaves atravessam parte da copa das árvores e retornam ao sensor, gerando modelos tridimensionais detalhados do terreno.
A análise dessas imagens mostrou padrões geométricos incompatíveis com formações naturais, como linhas retas extensas, cruzamentos e quarteirões de plataformas.
Esse tipo de mapeamento já vem sendo aplicado em outras áreas da Amazônia, abrindo caminho para novas descobertas semelhantes.
Quantas pessoas viviam nessas cidades amazônicas antigas
As estimativas populacionais ainda são cautelosas, mas indicam densidade bem maior do que se imaginava.
No vale estudado no Equador, calcula-se uma população mínima de 10 mil habitantes, podendo chegar a 15 mil ou 30 mil distribuídos em diferentes núcleos interligados.
Essa população elevada se apoia em indícios de uso intensivo da terra e de grande complexidade territorial, como mostram diversos elementos analisados pelos pesquisadores:
- Extensas áreas cultivadas, com milho, feijão, mandioca e batata-doce;
- Redes de estradas retilíneas com dezenas de quilômetros;
- Numerosas plataformas residenciais e cerimoniais em pequena área;
- Grandes construções coletivas que exigiam mão de obra organizada.
Como a descoberta muda a visão sobre a Amazônia “intocada”
A imagem da Amazônia como floresta quase vazia até o século XV vem sendo revista. Relatos de cronistas que descreviam povoados, plantações e estradas, antes vistos como exagero, ganham força diante de novos dados arqueológicos.
Terras pretas, geoglifos, valas e antigas aldeias indicam uma paisagem moldada por milênios de manejo indígena.
A floresta passa a ser entendida como resultado de uma interação prolongada entre sociedades complexas e o ambiente, e não como um espaço totalmente selvagem.
O que as cidades amazônicas antigas ensinam sobre sustentabilidade
As antigas cidades mostram que grandes populações conseguiram viver por séculos na floresta sem destruí-la completamente.
Canais de drenagem, solos enriquecidos e um padrão de “cidades-jardim” sugerem ocupações planejadas que distribuíam a pressão sobre o território.
Essas práticas inspiram debates atuais sobre desenvolvimento sustentável na região, destacando o valor do conhecimento indígena, do manejo integrado de florestas e rios e da proteção do patrimônio arqueológico como parte da identidade amazônica contemporânea.
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