Eles compraram um convento de 1772 e três anos depois o transformaram em um lar com alma e história
Durante 3 anos, uma família transformou um convento em ruínas em um lar com cozinha gigante, biblioteca de dois andares e boas histórias
Imagine entrar por um arco antigo e, em vez de encontrar um prédio em ruínas, enxergar um futuro inteiro ali dentro: foi isso que aconteceu quando uma família decidiu transformar um convento abandonado no norte da França em um lar cheio de histórias, arquitetura original e conforto moderno, após três anos de reforma intensa.
Como um convento abandonado virou projeto de vida?
A família Pethericks comprou, por 460 mil euros, um convento de 1772 que estava abandonado havia 14 anos, no norte da França. O prédio já tinha sido convento, hospital e casa de repouso, somando 3 mil m² de paredes deterioradas, telhado envelhecido e jardim tomado pelo mato.
Nos primeiros meses, o foco foi limpar o exterior, abrir caminhos de pedra escondidos e devolver luz aos pátios. Desde o início, a meta era restaurar sem apagar a história, equilibrando respeito ao passado com o conforto de um lar contemporâneo.
Transformação da cozinha gigante em coração da casa
A cozinha de 70 m², inicialmente intimidadora, levou quase um ano para ser reformada. Camadas de gesso foram removidas até expor as vigas originais de madeira, jateadas com areia para recuperar textura e cor naturais.
Um novo piso de concreto com aquecimento embutido trouxe conforto térmico a um prédio naturalmente frio, com isolamento que reduz eco e ruídos. O resultado é um ambiente moderno e funcional, moldurado por paredes conventuais que preservam a atmosfera histórica.
Assista ao vídeo do canal The Pethericks com detalhes da reforma do convento:
A antiga sala de refeições que virou biblioteca de dois andares
O antigo refeitório de 110 m², onde cerca de 60 freiras comiam diariamente, foi convertido em uma biblioteca de dois andares com galeria interna. A primeira fase incluiu demolição pesada, remoção de gesso e limpeza até revelar a estrutura original do edifício.
Estantes, lambris e painéis de carvalho reaproveitados de uma mansão próxima a Paris deram identidade ao espaço. Assim, o salão virou um refúgio de silêncio, leitura e contemplação, ecoando a antiga vocação espiritual do convento em um contexto doméstico e cultural.
Técnicas e truques para intervir na estrutura histórica com segurança
Para criar a galeria da biblioteca e ajustar níveis de piso e teto, foi preciso cortar e reposicionar vigas pesadas sem comprometer o prédio. A equipe utilizou recursos específicos para garantir precisão, segurança e preservação da madeira antiga.
Essas soluções combinam tecnologia moderna e reaproveitamento de materiais, reduzindo desperdícios e riscos estruturais. Entre os principais recursos adotados, destacam-se:
Cortes guiados a laser
Tecnologia a laser garante encaixes exatos em vigas centenárias, preservando integridade e alinhamento.
Guindastes hidráulicos
Movimentação segura de peças pesadas com controle rigoroso de altura, peso e posicionamento.
Reaproveitamento de madeira
Uso de materiais originais mantém o visual histórico e reduz descarte desnecessário.
Encaixes detalhados
Planejamento minucioso de cada junção minimiza retrabalho e riscos à estrutura existente.
Curiosidades da restauração e renascimento do convento como lar
Ao longo de três anos, timelapses registraram demolições, restaurações de tetos, pátios liberados e adaptações de um antigo elevador dos anos 1970. A capela perdeu o altar original, vendido antes da compra, mas manteve painéis de carvalho, e ganhou sinos de bronze vindos de catedrais para resgatar parte da atmosfera religiosa.
Foram enfrentados desafios como isolamento nos sótãos, remoção de asbestos, preservação de lambris antigos e decisão sobre escadas “para lugar nenhum”. Ao final, a cozinha tornou-se centro da vida diária, a biblioteca um espaço de imersão e os pátios um claustro reaberto à convivência familiar, provando que prédios históricos podem renascer sem perder suas raízes.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)