Peixe que “acende” sob luz UV e detecta eletricidade no bico intriga cientistas pelo mundo
Cientistas ainda não sabem ao certo o porquê disso tudo
Entre os animais marinhos que chamam a atenção da ciência em 2026, o chamado peixe-elétrico que brilha sob luz ultravioleta ocupa um lugar particular. Além de emitir um brilho em tons de neon quando exposto à luz UV, o peixe apresenta a capacidade de perceber campos elétricos usando o bico, combinação que intriga pesquisadores.
O que torna o peixe-elétrico fluorescente diferente de outros peixes marinhos
A principal peculiaridade desse peixe é reunir biofluorescência em luz UV e eletrorecepção concentrada no bico. A fluorescência ocorre quando substâncias especiais na pele absorvem luz ultravioleta e a reemitem em cores visíveis, como verde, azul ou violeta, criando o efeito de “neon”.
Esse fenômeno já foi registrado em corais, tubarões e peixes de recife, mas é raro em animais que também percebem eletricidade. Nesse peixe, o brilho funciona como uma espécie de “tinta invisível”, visível apenas sob UV, o que sugere possíveis funções em reconhecimento entre indivíduos, camuflagem e interação com o ambiente.
Como funciona a detecção de eletricidade pelo bico do peixe-elétrico?
A detecção de eletricidade envolve receptores eletrossensíveis, células conectadas ao sistema nervoso capazes de registrar mínimas variações nos campos elétricos da água. No bico desse peixe, esses sensores formam uma espécie de “antena biológica”, apontada para a região de maior sensibilidade ao redor do animal.
Quando músculos e nervos de outros organismos geram impulsos elétricos, o peixe transforma essas mudanças em uma espécie de mapa do entorno. Assim, consegue localizar presas enterradas, navegar em águas turvas e possivelmente evitar predadores, complementando visão e linha lateral na percepção do ambiente.
Assista um vídeo do canal Zoomundo com detalhes do animal:
O que a ciência já descobriu sobre esse peixe-elétrico fluorescente?
Apesar das incertezas sobre a função exata dessas características, algumas descobertas traçam um quadro mais sólido. Análises anatômicas mostram canais e poros minúsculos ligados ao bico, comparáveis aos sistemas eletrossensíveis de tubarões e outros peixes-elétricos, reforçando a importância da eletrorecepção em ambientes com baixa luminosidade.
No campo molecular, já foram identificados genes relacionados à produção de proteínas fluorescentes semelhantes às de corais e outros peixes biofluorescentes. Em paralelo, estudos de neuroimagem mapeiam áreas cerebrais especializadas no processamento de sinais elétricos, indicando um cérebro adaptado a integrar luz, eletricidade e sinais mecânicos da água.
Por que o peixe-elétrico apresenta brilho em neon sob luz ultravioleta?
O brilho em neon sob luz UV, chamado biofluorescência, ainda é parcialmente enigmático para a ciência. Estudos genéticos sugerem que proteínas fluorescentes na pele e mucosas derivam de mecanismos antigos, já presentes em outros animais marinhos, o que indica uma adaptação aproveitando recursos biológicos pré-existentes.
Pesquisadores consideram diferentes hipóteses para explicar por que essa fluorescência foi mantida pela evolução. Entre as possibilidades mais discutidas estão funções ligadas à interação social, à sobrevivência e à alimentação em ambientes de baixa luminosidade:
Sinais sob luz UV
Comunicação discreta entre indivíduos da mesma espécie por meio de padrões visíveis apenas sob luz ultravioleta.
Ambientes fluorescentes
Integração visual em recifes e fundos marinhos ricos em organismos que emitem fluorescência.
Atração de parceiros
Padrões visuais fluorescentes usados em rituais de acasalamento para reconhecimento e seleção.
Atração de presas
Emissão de áreas iluminadas em “neon” que atraem presas sensíveis à luz.
Quais são os próximos passos das pesquisas sobre o peixe-elétrico fluorescente?
As próximas pesquisas devem combinar genética, comportamento e ecologia para entender em que contextos o peixe utiliza o brilho em neon e a detecção elétrica. Equipes de campo recorrem a filmagens noturnas, iluminação UV controlada e sensores de campo elétrico para registrar o comportamento no habitat natural.
Além de esclarecer a evolução dessas adaptações, esse peixe serve de modelo para o desenvolvimento de materiais que respondem à luz UV e sensores inspirados em eletrorecepção. Assim, permanece como exemplo de como o oceano ainda guarda organismos que desafiam o conhecimento atual e estimulam novas linhas de investigação científica.
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