O animal que sobrevive ao espaço, à radiação e décadas sem água vive bem no seu quintal
Cientistas investigam como esse microanimal resiste onde quase nada mais vive
Entre os muitos seres vivos curiosos do planeta, o tardígrado se destaca pela resistência extrema. Esse pequeno invertebrado microscópico sobrevive a condições fatais para quase qualquer forma de vida conhecida, incluindo vácuo do espaço, temperaturas extremas e longos períodos sem água, mantendo-se viável e retomando suas atividades quando o ambiente volta a ser favorável.
O que é o tardígrado e em quais ambientes ele vive?
O tardígrado é um microanimal de corpo segmentado, com quatro pares de patas curtas e garras na extremidade. Mede cerca de meio milímetro e costuma habitar ambientes úmidos, como musgos, líquens, folhas em decomposição, solos encharcados e sedimentos de água doce ou marinha.
Também pode ser encontrado em calhas, telhados e superfícies com um mínimo de umidade, o que torna sua distribuição geográfica bastante ampla, dos polos às regiões tropicais. Em condições comuns, alimenta-se de algas, bactérias ou pequenos organismos presentes no ambiente.
Por que o tardígrado é considerado um animal extremamente resistente?
A fama de tardígrado resistente está ligada à capacidade de entrar em criptobiose, estado em que o metabolismo cai a níveis quase indetectáveis. Nessa condição, o animal desidrata, encolhe, assume uma forma de “tunel” e reduz a atividade celular ao mínimo, podendo permanecer viável por décadas.
Esse processo permite que suporte frio intenso, calor próximo ao ponto de ebulição da água por curtos períodos, pressões altíssimas, doses elevadas de radiação ionizante e ausência completa de água. Em voos espaciais, exemplares desidratados sobreviveram ao vácuo e à radiação cósmica e conseguiram se reproduzir ao retornar à Terra.
Assista um vídeo do canal Manual do Mundo para mais detalhes desse animal incrível:
Como o tardígrado sobrevive ao vácuo do espaço e à radiação?
A sobrevivência do tardígrado no espaço envolve estratégias bioquímicas e estruturais ativadas durante a criptobiose. Ao perder quase toda a água do corpo, ele reduz danos causados por cristais de gelo e limita reações químicas indesejadas, estabilizando suas estruturas internas.
Algumas espécies acumulam açúcares especiais e proteínas exclusivas, como as TDPs (proteínas intrinsecamente desordenadas de tardígrados), que formam uma espécie de “escudo” interno. Sistemas eficientes de reparo de DNA são ativados na reidratação, corrigindo parte dos danos genéticos causados por radiação e estresse extremo.
Quais são as principais frentes de pesquisa sobre tardígrados?
Os pesquisadores organizam as investigações sobre tardígrados em diferentes frentes, que vão da genética à exploração espacial. Essas linhas de estudo ajudam a transformar o conhecimento básico sobre o animal em possíveis aplicações práticas em diversas áreas.
Genes e proteínas de resistência
Pesquisas buscam identificar genes e proteínas associados à resistência extrema do tardígrado.
Testes em outros organismos
Moléculas inspiradas no tardígrado são testadas em plantas e bactérias para ampliar tolerância a estresses.
Materiais biológicos
Técnicas baseadas no tardígrado podem ajudar na conservação de células, tecidos e organismos.
Missões espaciais
O comportamento do tardígrado é estudado como modelo para experimentos em futuras missões espaciais.
Que contribuições científicas vêm do estudo do tardígrado?
O estudo do tardígrado oferece pistas para a astrobiologia, ajudando a entender limites da vida e a possibilidade de sobrevivência de organismos em outros planetas. Em biotecnologia, suas proteínas protetoras inspiram pesquisas em conservação de vacinas, células e tecidos sem refrigeração constante.
Há também interesse em aplicar esses conhecimentos na agricultura e na medicina, buscando aumentar a tolerância de culturas agrícolas à seca e proteger órgãos destinados a transplantes. Embora muitas aplicações ainda sejam experimentais, novas descobertas continuam ampliando o entendimento sobre adaptação biológica extrema.
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Comentários (1)
André Miguel Fegyveres
27.01.2026 16:52Muito interessante!