O ponto mais alto desse país tem apenas 3 metros de altura
Todo o território nacional fica abaixo da altura de um poste de luz
Um país no meio do oceano onde o sol nasce primeiro que em qualquer outro lugar do mundo e que pode desaparecer do mapa nas próximas décadas. Kiribati mistura isolamento extremo, peculiaridades de fuso horário e uma luta diária contra o aumento do nível do mar.
O que torna Kiribati o país mais remoto do mundo?
Localizado no coração do Pacífico, Kiribati reúne dezenas de ilhas minúsculas que somam apenas 110 mil habitantes espalhados por estreitas faixas de terra cercadas por lagoas azul-turquesa. A capital, Tarawa, é praticamente um arco sobre o mar: uma única estrada de mão dupla com 35 km que conecta escolas, governo, o único shopping e até o único restaurante sofisticado do país.
O isolamento é tão extremo que voos regulares chegam apenas três vezes por semana, vindos de Nadi, em Fiji. Uma passagem econômica nessa rota pode custar cerca de US$ 2.000, tornando-a uma das mais caras do mundo proporcionalmente à distância percorrida.

Por que o tempo em Kiribati é tão diferente do resto do mundo?
Kiribati vive no fuso horário UTC+14, o mais adiantado do planeta, fazendo dele o primeiro lugar onde cada novo dia começa oficialmente. Essa posição se deve a um ajuste estratégico na Linha Internacional de Data, que até 1995 dividia o país ao meio, deixando metade da população em um dia e a outra metade no dia anterior.
Para resolver essa confusão que complicava até ligações telefônicas de fim de semana, o governo decidiu “puxar” a linha para o lado leste e unificar o calendário em todo o território. Viajantes que cruzam o Pacífico rumo ao país experimentam a sensação de “perder” um dia inteiro ao atravessar essa linha imaginária.
Por que Kiribati pode desaparecer do mapa?
O ponto mais alto do país atinge apenas 3 metros acima do nível do mar, e muitas áreas não passam de 1 metro de altitude. Essa geografia torna Kiribati extremamente vulnerável ao aumento dos oceanos e às marés mais fortes, com algumas ilhas já parcialmente submersas.
Para enfrentar essa ameaça, moradores adotam estratégias de proteção que incluem:
- Construção de quebra-mares ao lado das estradas principais
- Preservação de árvores de mangue, cujas raízes seguram o solo e reduzem a erosão
- Compra de terras em países como Austrália e Nova Zelândia como plano de evacuação
Quer ver como é viver no primeiro lugar do mundo? Vídeo abaixo:
Como é o dia a dia das pessoas em Kiribati?
A rotina é simples e conectada ao oceano: crianças vão descalças para a escola, famílias fazem churrascos na beira da lagoa e a comunidade se reúne em “casas de cultura”, espaços abertos para encontros sociais. O cardápio local gira em torno de cocos, peixes, frutos do mar e polvo vendidos em mercados a céu aberto.
Quase tudo é importado, e a influência estrangeira aparece em detalhes curiosos, como o único restaurante sofisticado do país ser chinês, com recibos totalmente em mandarim. Apesar dos desafios climáticos e do termo “refugiado climático” ganhar força na região, muitos moradores afirmam que não querem deixar suas casas, sentindo-se profundamente ligados àquele pedaço de mar.
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