Toffoli usou voo da FAB para dar ‘esticadinha’ no resort Tayayá em 2019
O magistrado passou o final de semana no Tayayá Aquaparque entre os dias 20 e 22 de dezembro de 2019, após inauguração de um fórum
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli aproveitou um voo da Força Aérea Brasileira (FAB), em 2019, quando era presidente da Corte, para dar uma esticadinha no resort Tayayá, que agora está no epicentro de toda essa crise relacionada ao escândalo do Banco Master.
Em 20 de dezembro daquele ano, ele usou um avião da FAB para se dirigir de Brasília até a cidade de Ourinhos, no interior de São Paulo. Na época, o ministro foi para a inauguração do Fórum Eleitoral de Ribeirão Claro (PR), que recebeu o nome do pai do ministro, Luiz Toffoli.
Depois da inauguração do fórum, o magistrado passou o final de semana no Tayayá Aquaparque. Ele retornou a Brasília em 22 de dezembro, conforme registros da própria Força Aérea Brasileira (FAB). Na época, O Antagonista e Crusoé já apontavam os parentes de Toffoli como sócios do empreendimento. Além disso, o resort chegou a entrar no radar dos investigadores da operação Lava Jato.
Como mostramos mais cedo, o ministro do STF passou ao menos 168 dias no Resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), desde dezembro de 2022. Nessas viagens, as diárias dos seguranças do magistrado custaram 548,9 mil reais os cofres públicos.
As informações foram divulgadas inicialmente pelo portal Metrópoles e confirmadas por O Antagonista. O Tayayá é conhecido como “resort do Toffoli”. Funcionários do local apontam que o ministro é o dono.
O magistrado foi ao resort sete vezes desde que a propriedade foi vendida ao advogado Paulo Humberto Barbosa – sócio de dirigentes da J&F -, em abril do ano passado. Nessas viagens, ficou 58 dias no local.
Os dados das viagens de Toffoli ao resort foram levantados a partir das informações das diárias de segurança pagas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, de São Paulo. Normalmente o TRT-2 envia equipes de segurança para escoltar o ministro quando ele está no Tayayá.
Geralmente, o tribunal envia quatro ou cinco agentes para fazer a segurança do magistrado no resort. Quando a permanência dele no local passa de cinco dias, ocorre uma troca na turma de agentes.
Segundo o Metrópoles, o ministro chegou a fechar o resort para uma festa destinada a convidados e familiares. “Na ocasião, o estabelecimento já havia sido vendido por dois irmãos e um primo do ministro a um advogado da J&F, a gigante frigorífica de Joesley e Wesley Batista”, diz o portal.
Como revelou O Antagonista, em setembro de 2021, José Carlos e José Eugênio, irmãos de Toffoli, eram sócios do Tayayá Aqua Resort.
Ainda nesta semana, a imprensa também revelou que um fundo de investimentos que teve a família Toffoli como sócio, o Arleen, transferiu em torno de 33,9 milhões de reais para contas de uma offshore localizada nas Ilhas Virgens.
Para a Transparência Internacional – Brasil, “já há um conjunto de evidências muito mais que suficientes para que a PGR e o Senado instaurem procedimentos de apuração” em relação ao ministro.
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