O truque urbano que faz ruas americanas parecerem de filme
Paisagismo limpo esconde transformadores e dutos integrados ao subsolo residencial
Condomínios planejados nos Estados Unidos impressionam pela ausência de postes e fios nas ruas. A transformação começou no século XIX e revela conexões com segurança, clima e mercado imobiliário americano.
Como surgiu a ideia de esconder os fios?
No fim do século XIX, Thomas Edison desenvolveu o dínamo de corrente contínua. Prédios em Nova York tinham pequenas usinas a vapor no subsolo, gerando barulho e fumaça. Em 1882, Edison montou a Pearl Street Station em Manhattan, primeira usina centralizada para múltiplos edifícios.
O desafio era distribuir energia pela ilha sem prejudicar o visual. O distrito financeiro de Wall Street, preocupado com desvalorização imobiliária, recebeu em 1882 a primeira rede elétrica subterrânea da cidade. Bairros pobres mantiveram postes tradicionais.

Qual papel de desastres naturais nessa mudança?
Em 1888, forte nevasca derrubou postes sobrecarregados, causando apagão e mortes por choque elétrico. O episódio acelerou normas exigindo enterramento gradual da rede. Na Califórnia, incêndios florestais incentivaram a regra 20 de 1968, obrigando redes subterrâneas em diversas áreas.
Na Flórida, furacões destroem postes e deixam bairros sem energia. Após o furacão Andrew em 1992, códigos de 1993-1994 passaram a exigir redes subterrâneas em novos condomínios, entrando em vigor total em 2001.
Como funcionam as redes subterrâneas atualmente?
Entre 18% e 25% da rede elétrica americana é subterrânea, concentrada em áreas urbanas e condomínios planejados. Transformadores ficam em caixas nos jardins, distribuindo energia por dutos que também abrigam telefonia e TV a cabo integrados ao paisagismo.
Em Celebration, região de Orlando, o modelo consolidou mercado imobiliário diferenciado:
- Townhouses custam entre 579 e 620 mil dólares com upgrades
- Casas térreas variam de 670 a 680 mil dólares
- Propriedades maiores atingem 1,1 a 1,3 milhão de dólares
- Winter Park investiu 42 milhões para enterrar cabos em 20 anos
No vídeo abaixo confira imagens reais de bairros sem postes:
O que isso ensina para o debate brasileiro?
Apagões em São Paulo deixaram milhares sem energia por semanas, reacendendo discussões sobre enterramento de redes no Brasil. Perdas de alimentos e interrupção do trabalho remoto evidenciaram dependência total da eletricidade para internet e comunicação.
Propostas brasileiras variam desde obrigação de enterrar todas as redes em 15 anos até projetos restritos a municípios com mais de 300 mil habitantes. A experiência americana mostra que planejamento urbano, investimento em infraestrutura e normas pós-desastres podem transformar paisagens urbanas permanentemente.
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