Três homens mergulharam em porão radioativo para salvar metade da Europa
Explosão arrancou escudo biológico de 18 metros deixando núcleo aberto ao céu
Em 26 de abril de 1986, um teste de rotina no reator 4 de Chernobyl virou o maior acidente nuclear da história. Decisões apressadas e missões quase suicidas revelam o lado menos conhecido da tragédia.
Como um teste de segurança causou explosões nucleares?
O plano era verificar se turbinas gerariam energia suficiente para resfriar o reator RBMK em caso de falha. Sob pressão por resultados, a equipe cansada desligou sistemas de proteção e forçou operação em faixa instável durante a madrugada.
Às 1h23, erros humanos e falhas de projeto geraram pico de potência 100 vezes acima do normal. Duas explosões rasgaram o núcleo e arremessaram uma tampa de 1000 toneladas para o alto, expondo material radioativo ao céu.

Por que os instrumentos atrasaram o pânico inicial?
O principal dosímetro travou em 3,6 roentgen por hora, seu limite máximo de medição. Para a equipe, o número parecia indicar incêndio controlável. Estudos posteriores estimaram 15.000 roentgen em certas áreas, energia comparável a centenas de bombas de Hiroshima.
Enquanto isso, Pripyat, a 3 km de distância, seguia com crianças brincando na rua. Poeira radioativa caía sobre tudo sem que a população soubesse do perigo real enfrentado.
Quais missões secretas evitaram desastre maior?
Três trabalhadores – Alexei Ananenko, Valeri Bespalov e Boris Baranov – desceram em porões inundados para abrir válvulas e drenar 20 milhões de litros. A missão evitou explosão de vapor capaz de espalhar radiação por metade da Europa.
As operações de contenção incluíram:
- 400 mineiros cavaram túnel de 168 m sob o reator em calor sufocante
- Helicópteros realizaram mais de 4.000 voos jogando areia, chumbo e boro
- Objetivo era proteger aquíferos da Ucrânia, Rússia e Bielorrússia
- Um helicóptero MI-8 caiu ao lado do reator em acidente filmado secretamente
Entenda melhor todas essas curiosidades assistindo ao vídeo abaixo:
O que ainda permanece vivo em Chernobyl?
O pé de elefante, massa de 100 toneladas formada por combustível derretido e concreto, emitia 10.000 roentgen por hora. A floresta vermelha, com 5 km de área contaminada, foi derrubada e enterrada como resíduo nuclear.
Plantas e animais voltaram, mas pesquisas apontam mutações e alterações de fertilidade. O Hospital 126 guarda uniformes de bombeiros impregnados de césio-137 no porão, proibidos para turistas. A ausência humana transformou Chernobyl em laboratório vivo sobre adaptação sob radiação crônica.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)