Cientistas revelam por que os corais estão “mudando de cor”
O estudo da cor do oceano ganhou destaque como um dos indicadores mais sensíveis das mudanças climáticas em curso.
Os recifes de coral estão no centro de um alerta científico global. Desde 2023, pesquisadores relatam um novo episódio de branqueamento em massa, associado principalmente ao aquecimento das águas, que já atinge diversos oceanos e levanta preocupações sobre o futuro desses ecossistemas extremamente sensíveis às mudanças climáticas.
O que são recifes de coral e por que eles são tão importantes?
Os recifes de coral são formados por milhões de pólipos que constroem esqueletos calcários, criando verdadeiras “cidades submarinas”.
Nesses ambientes, uma enorme diversidade de peixes, crustáceos e moluscos encontra abrigo e alimento, sustentando complexas cadeias alimentares.
Estima-se que cerca de 25% da vida marinha dependa, direta ou indiretamente, dos recifes. Além disso, eles fornecem proteção costeira, recursos pesqueiros e atraem turismo, conectando a saúde dos oceanos à economia e ao bem-estar humano.

Como ocorre o branqueamento de corais e o que está acontecendo ?
O branqueamento ocorre quando os corais, sob forte estresse ambiental, perdem as algas simbióticas que lhes dão cor e energia.
Sem essa parceria, os recifes ficam esbranquiçados, enfraquecidos e mais vulneráveis a doenças e à mortalidade.
Entre 2023 e 2025, foram registrados eventos de branqueamento em série em regiões como a Grande Barreira de Corais, Caribe, Golfo do México, Mar Vermelho e partes do Atlântico Sul, configurando o quarto grande episódio global em cerca de 25 anos.
Quais são as principais causas do branqueamento em massa?
O principal fator é o aquecimento dos oceanos, impulsionado pelo acúmulo de gases de efeito estufa.
A maior parte do calor extra gerado desde a Revolução Industrial foi absorvida pelo mar, elevando a temperatura média da superfície e intensificando ondas de calor marinhas, muitas vezes reforçadas por fenômenos como o El Niño.
Outros fatores agravam o problema, reduzindo a resistência dos recifes ao estresse térmico e comprometendo sua capacidade de recuperação ao longo do tempo.
- Acidificação dos oceanos pelo excesso de CO₂ dissolvido na água
- Poluição costeira por esgoto, resíduos industriais e nutrientes
- Sobrepesca e destruição de habitats litorâneos
- Alterações na salinidade e na qualidade da água

Quais impactos o branqueamento traz para a sociedade e a biodiversidade?
As consequências vão muito além da perda estética de paisagens coloridas. A degradação dos recifes reduz a biodiversidade marinha associada, afetando espécies que dependem desses ambientes para abrigo, alimentação e reprodução.
Isso se traduz em queda da produtividade da pesca artesanal e industrial, perda de barreiras naturais contra erosão e tempestades, prejuízos ao turismo e riscos à segurança alimentar de populações costeiras que dependem da pesca de recife para subsistência.
O que pode ser feito para proteger os recifes de coral?
Mesmo com esforços para limitar o aquecimento global a 1,5°C, projeções indicam grandes perdas de recifes tropicais.
Ainda assim, ações locais e globais podem aumentar a resiliência dos corais, especialmente em áreas de refúgio com características mais favoráveis.
Medidas como criação de áreas marinhas protegidas, controle da poluição, gestão da pesca, monitoramento contínuo e incentivo ao ecoturismo responsável, aliadas à redução de emissões e ao avanço científico, serão decisivas para determinar quantos recifes permanecerão ativos nas próximas décadas.
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