Projeto de carbono que inflou fundos do Master é da família Vorcaro?
As investigações apontam que os fundos foram usados para desviar dinheiro do Master e ampliar o patrimônio do banco de Daniel Vorcaro
Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, e Natália Bueno Vorcaro Zettel, irmã do dono do Banco Master, são investidores em um projeto bilionário de créditos de carbono que deu origem a certificados sem lastro de mercado, registrou a Folha de S.Paulo.
Contratos e laudos aos quais o jornal teve acesso apontam que eles são proprietários da Alliance Participações, dona majoritária de unidades de carbono associadas à Fazenda Floresta Amazônica, em Apuí (AM).
Segundo o jornal, o carbono foi parar na Global Carbon e na Golden Green.
As duas companhias teriam inflado o patrimônio dos fundos de investimentos sob gestão da Reag.
As investigações apontam que os fundos foram usados para desviar dinheiro do Master e ampliar o patrimônio do banco, permitindo que a instituição financeira continuasse vendendo CDBs no mercado.
Controladas por fundos da Reag, a Golden Green e a Global Carbon passaram a valer mais de 45,5 bilhões de reais com a geração de carbono advinda de uma área pública da União na Amazônia.
Os fundos são investigados desde a Operação Carbono Oculto, que apura a suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Terra pública
Com 143,9 mil de hectares, a Fazenda Floresta Amazônica, localizada em Apuí (AM), deu origem de bilhões de reais em créditos de carbono, mesmo pertencendo à União.
Marco Antônio de Melo, suposto dono da fazenda, e José Antônio Ramos Bittencourt, intermediário no negócio, teriam recebido como pagamento 2,5% das cotas de fundos administrados pela Reag.
A Golden Green e a Global Carbon teriam utilizado um método teórico da Unesp, que nunca foi aplicado em mercado, para inflar o patrimônio dos fundos Jade e New Jade II, ambos administrados pela Reag.
O que diz a família Vorcaro?
À Folha, Henrique e Natália Vorcaro disseram não ter envolvimento em operações ilícitas ou irregulares.
“O grupo empresarial, cujas atividades detêm boa reputação há mais de 40 anos, está à disposição para esclarecer o que for necessário às autoridades”, afirmaram o pai e a irmã do dono do Master por meio de advogados.
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