De garçom a diplomata: brasiliense realiza sonho e entra para o Itamaraty

20.01.2026

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De garçom a diplomata: brasiliense realiza sonho e entra para o Itamaraty

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 19.01.2026 22:11 comentários
Brasil

De garçom a diplomata: brasiliense realiza sonho e entra para o Itamaraty

Filho de diarista e pedreiro, criado no Entorno do Distrito Federal, um jovem goiano de 31 anos tornou-se terceiro-secretário do Ministério das Relações Exteriores

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De garçom a diplomata: brasiliense realiza sonho e entra para o Itamaraty
De garçom a diplomata: brasiliense realiza sonho e entra para o Itamaraty - Créditos: depositphotos.com / diegograndi

Filho de diarista e pedreiro, criado no Entorno do Distrito Federal, um jovem goiano de 31 anos tornou-se terceiro-secretário do Ministério das Relações Exteriores em 2025, após uma trajetória marcada por trabalhos informais, longos deslocamentos diários entre Luziânia (GO) e Brasília e forte apoio de políticas públicas de acesso ao ensino superior e à carreira diplomática.

Como começa o interesse pela carreira pública

O interesse pelo serviço público surgiu aos 15 anos, quando ele ingressou no ensino médio em uma escola tradicional de Brasília e iniciou estágio em um órgão federal da área econômica.

A remuneração modesta custeava o transporte, mas também o aproximou da rotina da administração pública e das possibilidades de estabilidade financeira.

Atuando em áreas de apoio, como almoxarifado e tecnologia da informação, ele passou a observar o trabalho dos servidores e a perceber o valor do serviço público para quem vem de renda variável.

Na escola, colegas e professores apresentaram o universo dos vestibulares e das universidades públicas, até então distante de sua realidade familiar.

Como a formação acadêmica impulsiona o sonho da diplomacia

Em 2014, uma bolsa integral do ProUni possibilitou o ingresso em relações internacionais em uma instituição privada do DF, ao mesmo tempo em que iniciou letras-espanhol em universidade pública.

Para se manter, conciliou estudos com jornadas como garçom, trabalhos em eventos e serviços de tradução de livros.

Durante a graduação, a carreira de diplomata deixou de ser algo abstrato: ele compreendeu o papel do diplomata na defesa dos interesses nacionais e em organismos internacionais.

Um luto familiar, em 2017, reforçou a busca por estabilidade e impacto social, consolidando a diplomacia como objetivo central.

Quais desafios marcam a preparação para o CACD

Em 2018, mudou-se para o Rio de Janeiro para cursar mestrado ligado ao Ministério da Defesa, enfrentando dificuldades financeiras até a liberação de bolsa da Capes.

Em 2021, iniciou a preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) e, embora tenha passado na primeira fase, foi eliminado na prova discursiva de inglês.

Conciliando múltiplos empregos e poucos recursos para cursos especializados, ele voltou a ser barrado no inglês, mas o bom desempenho garantiu a bolsa-prêmio de vocação para a diplomacia, voltada a candidatos negros.

Essa política pública ofereceu condições mínimas para reorganizar a rotina de estudos e focar nas maiores fragilidades.

  • Apoio financeiro para estudo em tempo quase integral;
  • Redução da dependência de empregos informais;
  • Foco específico em línguas estrangeiras e provas discursivas;
  • Acesso ampliado a materiais e acompanhamento especializado.
De garçom a diplomata: brasiliense realiza sonho e entra para o Itamaraty
De garçom a diplomata: brasiliense realiza sonho e entra para o Itamaraty – Créditos: depositphotos.com / dabldy

Como a persistência leva à aprovação no Itamaraty

Com a bolsa, ele passou a se dedicar mais intensamente ao CACD e, em 2023, ficou próximo da aprovação final.

Em 2024, voltou a avançar em todas as fases, ainda sem classificação suficiente, mas acumulando experiência de prova e fortalecendo conteúdos críticos.

A mudança para o Paraná, em 2025, trouxe trabalho remoto em políticas educacionais e bolsa de pesquisa do MEC, permitindo rotina mais estruturada de estudos.

Essa combinação de flexibilidade profissional, experiência acumulada e foco estratégico resultou na aprovação entre os 50 classificados em um universo de 8.861 inscritos.

O que a aprovação na carreira diplomática representa

A nomeação como terceiro-secretário do Itamaraty, com salário inicial acima de R$ 22 mil, significou mudança radical de padrão de renda para alguém que por anos conciliou estudo com subempregos.

O novo cargo permite planejar melhores condições de vida para a mãe, diarista há décadas e com problemas de saúde.

Sua presença, como homem negro vindo do Entorno do DF, evidencia o impacto de políticas educacionais e de inclusão na alta burocracia estatal.

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