Crusoé: Putin ainda exerce influência sobre a Venezuela?
Guerra na Ucrânia enfraquece o poder de intervenção de Moscou em favor de aliados
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta segunda-feira, 19, que Moscou mantém contato constante por via diplomática com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Peskov, porém, destacou que o ditador Vladimir Putin “não tem planos de conversar por telefone com Rodríguez nos próximos dias”.
“Mas se for necessário, isso certamente poderá ser arranjado”, destacou.
Falhas nos equipamentos russos
Esta foi a primeira declaração oficial do Kremlin sobre Delcy Rodríguez desde a captura do ditador Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, por forças americanas.
A antiga relação entre os dois regimes agora aparenta esfriamento, motivado por uma combinação de fatores geopolíticos e militares.
O jornalista Leonardo Coutinho, diretor-executivo do Center for a Secure Free Society, afirmou que os equipamentos de defesa russos, iranianos e chineses falharam na noite da captura de Maduro.
“Os Estados Unidos demonstraram uma superioridade bélica e militar infinitamente maior do que a soma desses três sistemas. Não houve capacidade de acionamento. Esses sistemas simplesmente não são acionáveis”, disse.
Grupo Wagner
Além da troca comercial em armamentos, a Rússia sempre manteve agentes do Grupo Wagner – organização de mercenários russos – em solo venezuelano.
A principal intervenção dos milicianos russos ocorreu em 2019, quando um contingente viajou para a capital venezuelana, com objetivo de conter os protestos após a decisão do TSJ (tribunal Superior de Justiça) de declarar inválida a junta parlamentar da Assembleia Nacional, que havia declarado Maduro como usurpador.
Na ocasião, Juan Guaidó foi declarado presidente interino da Venezuela.
O avião civil utilizado na operação pertencia a uma divisão da administração presidencial russa.
Na ocasião, Peskov negou as informações afirmando que “o medo tem muita imaginação” e que “as informações pertencem ao terreno das teorias de comunicação”.
Nos meses seguintes, o regime chavista conseguiu conter os protestos e Maduro permaneceu no poder com apoio de Putin e do regime cubano.
Além disso, outras aeronaves russas pousaram em Caracas transportando equipamentos de alta tecnologia.
Guerra na Ucrânia
Implicado diretamente na guerra da Ucrânia, Putin teve pouca margem de manobra para impedir a derrubada de Nicolás Maduro.
O mesmo ocorreu na Síria, quando terroristas do Hay’at Tahrir al-Sham (HTS) depuseram a ditadura de Bashar Assad.
A invasão russa…
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