Paisagem escondida sob o gelo da Antártica é revelada por satélite
Escondida sob uma espessa manta branca, a Antártica abriga uma paisagem rochosa complexa, formada por montanhas, vales e antigos canais de drenagem.
Escondida sob uma espessa manta branca, a Antártica abriga uma paisagem rochosa complexa, formada por montanhas, vales e antigos canais de drenagem.
Esse relevo, coberto por até cinco quilômetros de gelo, vem sendo revelado com mais precisão graças a técnicas de observação por satélite e modelagem física, tornando-se peça essencial para entender o comportamento das geleiras e o futuro do nível do mar em cenário de mudanças climáticas.
O que é a topografia subglacial da Antártica
A topografia subglacial da Antártica é o relevo rochoso que fica escondido sob a camada de gelo que recobre o continente. Essa superfície inclui montanhas enterradas, planícies, vales em U e canais profundos esculpidos antes da formação das grandes calotas.
Grande parte dessa paisagem foi moldada em períodos mais quentes, quando a Antártica tinha rios e vegetação. Com o avanço do gelo ao longo de milhões de anos, esse terreno foi soterrado, preservando registros importantes da história climática do planeta.
Como os cientistas mapeiam o relevo sob o gelo
Para visualizar o que está sob o manto de gelo, pesquisadores combinam dados de radar aerotransportado, medições gravimétricas e observações da deformação e velocidade do gelo obtidas por satélites. Modelos físicos traduzem esses sinais de superfície em estimativas da forma do terreno rochoso.
Uma abordagem central é a análise de perturbações no fluxo de gelo, que usa leis de deformação para inferir irregularidades no fundo.
Ao integrar medições diretas de espessura do gelo, é possível produzir mapas com resolução de poucos quilômetros, revelando feições antes desconhecidas.
In the latest #SciencePodcast, glaciologist Helen Ockenden joins to discuss how her team used satellite imagery and the physics of ice flows to fill in the missing details of Antarctica’s subglacial surface.
— Science Magazine (@ScienceMagazine) January 16, 2026
🎧 Listen here: https://t.co/fZaZnaXWj7 pic.twitter.com/lLuzLpClbH
Quais dados de satélite ajudam a revelar o relevo subglacial
Satélites dedicados à observação da criosfera monitoram continuamente altura, velocidade e deformações do gelo antártico. Esses registros mostram onde o fluxo acelera, desacelera ou se desvia, indicando a presença de montanhas, vales e bacias enterradas.
Essas missões geram conjuntos de dados que, combinados com levantamentos terrestres e aéreos, permitem um retrato mais completo da base rochosa antártica. Entre as principais contribuições, destacam-se:
- Monitoramento da altura do gelo por altímetros de satélite ao longo do tempo;
- Medição da velocidade das geleiras por rastreamento de imagens orbitais;
- Integração com levantamentos geofísicos feitos por aviões e veículos terrestres;
- Aplicação de modelos numéricos que relacionam fluxo de gelo e forma do terreno.
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To create the most detailed map of Antarctica's subglacial topography, a team of researchers led by Helen Ockenden, of the University of Edinburgh and the Institut des Geosciences de l'Environnement in France, applied a modeling technique known as Ice Flow Perturbation Analysis. pic.twitter.com/Ko4Jqp2c5A
— Bruno Dias (@brunodiasmz) January 16, 2026
Por que o relevo subglacial influencia o nível do mar
A forma do terreno sob o gelo controla a estabilidade da calota antártica e o ritmo de escoamento das geleiras. Bacias profundas abaixo do nível do mar permitem a entrada de água oceânica quente na base do gelo, acelerando o derretimento e o recuo das frentes glaciais.
Em contraste, montanhas e cumes elevados funcionam como barreiras naturais que retardam o fluxo.
Mapas precisos da topografia subglacial são, portanto, essenciais para estimar quais setores podem contribuir com centímetros ou metros de aumento do nível do mar nas próximas décadas.
Quais são os próximos passos para estudar a topografia subglacial da Antártica
Apesar dos avanços, grandes áreas da Antártica ainda são pouco conhecidas, especialmente regiões remotas, setores muito espessos e zonas próximas ao polo sul geográfico. Novas campanhas aéreas e sensores orbitais mais sensíveis são fundamentais para preencher essas lacunas.
Até meados da década de 2030, iniciativas internacionais devem integrar dados de múltiplas fontes e séries temporais mais longas.
Esses mapas mais detalhados apoiarão políticas de adaptação costeira, planejamento de infraestrutura polar e aprimoramento de modelos climáticos globais.
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