Europa reforça segurança no Ártico em defesa da Groenlândia
Movimento ocorre após Trump ameaçar novas tarifas a aliados caso EUA não possam comprar a ilha
Países europeus anunciaram neste domingo, 18, o reforço da segurança no Ártico, em apoio à Groenlândia, após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a ilha.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram manter o compromisso com a defesa da Groenlândia e com a estabilidade da região.
“Como membros da Otan, estamos empenhados em fortalecer a segurança do Ártico como um interesse transatlântico comum”, diz o texto.
O governo da Groenlândia — território semiautônomo sob soberania da Dinamarca — agradeceu publicamente o apoio europeu.
A mobilização ocorre após o envio, a pedido da Dinamarca, de pequenos contingentes militares de países aliados à ilha, medida que elevou a tensão com Washington.
No sábado, 17, Trump ameaçou impor novas tarifas comerciais a oito aliados europeus caso os Estados Unidos não sejam autorizados a comprar a Groenlândia. Os países já estão sujeitos a tarifas americanas de 10% e 15%.
Reação de líderes
Líderes europeus alertaram para uma “perigosa espiral descendente” nas relações com os EUA.
Em declaração conjunta, os oito países afirmaram que “ameaças tarifárias minam as relações transatlânticas e correm o risco de provocar uma perigosa espiral descendente”.
A ministra da Groenlândia responsável pelos setores de negócios, energia e minerais, Naaja Nathanielsen, disse que “vivemos tempos extraordinários que exigem não apenas decência, mas também muita coragem”.
Já o chanceler dinamarquês, Lars Lökke Rasmussen, afirmou: “O que nossos países têm em comum é que todos concordamos que o papel da Otan no Ártico deve ser fortalecido, e estou ansioso para discutir como isso será feito”.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse ter ficado satisfeita com a reação do continente e afirmou: “A Europa não será chantageada”.
Diante da escalada, Chipre, que exerce a presidência rotativa da União Europeia, convocou uma reunião de emergência com embaixadores dos 27 países do bloco em Bruxelas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que as tarifas “minariam as relações transatlânticas e poderiam levar a uma perigosa espiral descendente”.
Instrumento anti-coerção
O presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a ativação do chamado Instrumento Anti-Coerção da UE, mecanismo aprovado em 2023 e nunca utilizado.
Segundo o Parlamento Europeu, a ferramenta permite “combater as ameaças econômicas e as restrições comerciais desleais de países terceiros”.
O instrumento autoriza, como último recurso, “contramedidas contra um país não pertencente à UE, incluindo uma ampla gama de restrições relacionadas com o comércio, investimento e financiamento”, desde que haja maioria qualificada entre os países do bloco.
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Comentários (1)
Clayton de Souza Pontes
18.01.2026 16:35Agora a Europa tem dois opositores expansionistas : Putin e Trump. Corrida armamentista na certa