Em artigo no NYT, Lula condena ação dos EUA na Venezuela
Para petista, ação para capturar Maduro representa “capítulo lamentável na erosão contínua do direito internacional”
Em artigo publicado neste domingo, 18, no jornal americano The New York Times, o presidente Lula afirmou que a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e a prisão de Nicolás Maduro representam “mais um capítulo lamentável na erosão contínua do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.
O petista criticou o uso da força por grandes potências e voltou a tratar do que chama de enfraquecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Conselho de Segurança.
Segundo Lula, “quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas”.
No texto, o presidente reconheceu que líderes podem ser responsabilizados por violações à democracia e aos direitos fundamentais, mas afirmou que “não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”.
Para o petista, ações unilaterais “ameaçam a estabilidade em todo o mundo, desorganizam o comércio e os investimentos, ampliam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.
Ele disse ainda ser “particularmente preocupante” que esse tipo de prática esteja sendo aplicado à América Latina e ao Caribe, região que, segundo o presidente, busca a paz por meio da igualdade soberana, da rejeição ao uso da força e da autodeterminação dos povos.
Ao tratar da situação venezuelana, Lula afirmou que o futuro do país “deve permanecer nas mãos de seu povo”. E que essa é uma condição essencial para que milhões de venezuelanos fora do país possam retornar em segurança.
“Somente um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável”, escreveu.
O presidente diz que o Brasil seguirá cooperando com o governo e a população da Venezuela para proteger a fronteira compartilhada e aprofundar a cooperação bilateral.
Lula também afirmou que mantém diálogo construtivo com os Estados Unidos e que Brasil e EUA devem unir esforços em áreas como investimento, comércio e combate ao crime organizado.
“Somente juntos poderemos enfrentar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós.”
O artigo foi publicado duas semanas depois da operação dos Estados Unidos que capturou o ditador da Venezuela. A ação americana foi condenada por Lula.
Em nota publicada nas redes sociais em 3 de janeiro, sem citar diretamente o nome de Maduro, o petista afirmou que “os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”.
Maioria acha que Lula errou
A maioria dos brasileiros acha que Lula errou ao condenar a operação militar dos Estados Unidos para capturar Maduro.
Segundo pesquisa Genial/Quaest, divulgada na quinta-feira, 15, a postura do petista em relação à operação foi certa para 37% e errada para 51%. Os que não souberam ou não responderam são 12%.
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Comentários (1)
Clayton de Souza Pontes
18.01.2026 14:35O Lula deveria aplicar a isonomia e criticar o Putin também